sexta-feira, 27 de maio de 2011

Estudantes ocupam o centro de Maceió


Na manhã dessa sexta-feira (27 de maio), milhares de estudantes ocuparam o centro de Maceió. Em passeata, faziam ressoar os gritos de FORA TÉO. Foi uma manifestação pacífica, com a presença de várias entidades estudantis.

O ato teve participação maciça de estudantes, visto que os sindicatos dos servidores públicos optaram por convocar um Ato unificado de todas as categorias para a próxima quarta-feira, dia 1º. O ato, inicialmente convocado espontaneamente por e-mails e através das redes sociais, foi liderado pelas várias entidades estudantis presentes.

Segundo a Diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE), Claudia Petuba, “Nós estudantes resolvemos sair às ruas hoje e aproveitamos para fazer um chamamento a toda a sociedade para participar do novo ato na semana que vem. A luta é dos estudantes, dos trabalhadores, de todo o povo Alagoano. Ninguém suporta mais os desmando desse governo.”

A manifestação se iniciou na Praça dos Martírios, passou em frente ao Tribunal de Justiça, à Assembleia Legislativa e finalizou-se em frente ao Palácio de Cristal. O reforço policial foi chamado, apesar de a manifestação ter caráter pacífico. A cavalaria e o Bope acompanharam toda a manifestação.

Pres. da UJS/AL Naldo, Dir. da UNE Claudia, Dir. da UBES João.
 Os estudantes vieram de várias escolas e universidades, todos revoltados especialmente com o tratamento do governo estadual com a educação. A estudante da UNEAL Welingta Carla denunciou “A UNEAL hoje funciona com 40% do seu orçamento. É Universidade só no nome, porque está funcionando em situação de verdadeira precariedade em todos os setores. Esse governador está destruindo nossa Universidade!”. Para o Secretário Geral do DCE da UFAL, Hugo Cavalcante, “o caso é grave, pois Alagoas possui os piores índices de Educação, Violência, Saúde, Distribuição de Renda. Os Alagoanos não merecem isso, temos que ir às ruas!”

Com as caras pintadas com as cores da bandeira de Alagoas, os estudantes mostraram que estão atentos à situação política do estado. Para o diretor da UBES João Carlos, “A juventude não é alienada, essa manifestação aqui mostra isso. Somos solidários à luta dos trabalhadores por melhorias salariais e também temos as nossas reinvindicações”.

Em frente ao Palácio, a polícia cercou os estudantes, tentando dispersar o ato. O Presidente estadual da UJS, Naldo Freitas, denuncia: “Esse é o tipo de ‘diálogo’ que o governador tem com a população, através da polícia e da violência. Mas na quarta-feira estaremos aqui novamente, a insatisfação é muito grande e vamos mostrar isso nas ruas!”.


sexta-feira, 20 de maio de 2011

O Complexo de Sandy

Quando a marca de cerveja “Devassa” anunciou sua próxima garota-propaganda, a Sandy, muitos se espantaram, outros gostaram da ideia, alguns recriminaram. Sandy pode, Sandy não pode. SANDY QUER. Não vou aqui julgar os motivos que levaram a cantora a aceitar o convite. Se ela fez como uma jogada de marketing, para aparecer, para chocar ou simplesmente para mostrar um lado seu que até hoje estava escondido, não me importa. Interessa é observar o tipo de reação que isso causou na sociedade e na mídia. Provavelmente, os que acharam um absurdo a menina que cantava “Maria Chiquinha” agora aparecer tomando cerveja (e logo uma chama “Devassa”) são aqueles que acham que suas “garotinhas”, “filhinhas” ou “namoradinhas” são e sempre serão isso: “filhinhas” ou “namoradinhas”. Tolinhos...
Sou muito contra os rótulos, daqueles que se tenta colar nas pessoas, por que limitam os indivíduos para a sociedade e limitam a sociedade para o indivíduo. As mulheres foram durante muito tempo, e são ainda hoje, grandes vítimas desses rótulos, que ditam a forma como uma mulher deve se comportar e ser física, profissional, pessoal e sexualmente. As mudanças no pensamento acerca da sexualidade e da liberdade individual mudaram até certo ponto. Hoje se aceita com maior facilidade que a mulher possa assumir a personalidade que quiser. Profissional competente, mãe, ousada, delicada, ninfomaníaca, dona-de-casa, chefe. Porem ainda é muito difícil aceitar que ela assuma tantas personalidades quanto for do seu gosto e QUANDO quiser. Explico-me: Sandy pode ser “Maria Chiquinha” desde que nunca queira ser Devassa. E a Devassa vai ser vista sempre com desconfiança se um dia mostrar algum traço de “Maria Chiquinha”.
Olha, esse tipo de limite que as pessoas colocam umas nas outras, e em si mesmas, fazem um estrago danado. No ramo do “relacionamento amoroso”, alguns homens e mulheres acabam limitando seus parceiros por depositar neles seus rótulos e expectativas. Acredito que esses limites são “acordados” naquele período inicial, onde um está “conhecendo” o outro. Depois disso, pronto: a personalidade está formada. Qualquer atitude que se diferencie daquela imagem que formamos do outro se torna destoante, até incômoda. “Não é mais a mesma pessoa”. “Essa não é a minha namorada”. Claro que é! Apenas ela sentiu necessidade, vontade, de experimentar um novo jeito de se ver, de ver o mundo. Ao invés de desconfiados e inseguros, os parceiros ganham mais se viverem junto essas experiências novas, sem medo ou insegurança, de mãos dadas, torcendo pelas descobertas que o outro está realizando.
O mesmo pode ser dito em relação ao sexo. Muitas mulheres receiam propor alguma coisa “diferente” por medo de serem mal interpretadas (“o que ele vai pensar de mim?”). Ao mesmo tempo, por aí tá cheio de namorado insatisfeito com a falta de ousadia de suas mulheres na cama. Alguns chegam a se lamentar, “nunca vou propor isso, pois ela nunca vai fazer mesmo...”. Na maioria das vezes é esse cara que está limitando a garota, sem perceber ou propositalmente, por insegurança. A esse eu digo que tente, estimule, deixe sua mulher à vontade pra ser quem ela quiser. Porque, meu amigo, com certeza  tem um monte de caras por aí loucos para tomar uma cerveja com ela...

sábado, 14 de maio de 2011

Orgulho de ser Brasileira!


O Brasil é um país especial. O mundo todo reconhece e se espanta com a capacidade que temos de conviver bem com as diferenças, mesmo em um território tão vasto (estamos entre os dez maiores do mundo). Um pequeno giro no globo e podemos constatar inúmeros e graves conflitos entre populações de um mesmo país, seja por motivos econômicos, religiosos ou culturais. Aqui não temos essa formação, nos consolidamos como uma Nação unificada política e culturalmente.
Foram tortuosos os caminhos que nos levaram a essa construção. Desde as primeiras incursões dos bandeirantes e dos jesuítas, passando pelos vários motins e revoltas durante o império e a construção de uma República gigante, várias foram as batalhas enfrentadas para que o nosso país preservasse sua geografia como temos hoje.
O fato é que hoje falamos todos a mesma língua, somos regidos pelas mesmas regras jurídicas, nos reconhecemos membros de uma mesma Nação. Acredito que esta condição nos faz fortes, faz do Brasil um país de imensas riquezas naturais e culturais. Algumas diferenças existem, o que é natural num território tão imenso. São sotaques, temperos, hábitos e um jeitinho especial de cada região, que não são um obstáculos ao diálogo fraterno, mas pelo contrário, nos dão mais orgulho de fazer parte de um povo tão rico.



Infelizmente, temos visto manifestações de preconceito e intolerância das mais variadas formas, contra as diferenças. Por motivos de religião, política e até futebol, tentam criar no Brasil um sentimento que não existe: o de que aqui convivem vários e diferentes povos que devem se digladiar ou de que os problemas de determinada região são causados por outra região. Esse tipo de pensamento é minoria, mas causa revolta quando manifestado, pois são orquestrados por aqueles que querem ver o Brasil dividido e por vezes se utilizam de pessoas desavisadas para dissemina-los. Querem “importar” de outros países a ideia da luta de “raças contra raça”, “norte contra sul”.
Não existem duas raças ou qualidade de Brasileiros. Sem fechar os olhos para as diferenças fruto da luta de classes, é fato que somos um país de um povo só. Lutamos para ter uma vida melhor, enfrentando as inúmeras dificuldades e tentativas de divisão do nosso país e apoderamento das nossas riquezas por parte de obscuros interesses internacionais.
As grandes revoluções socialistas em todo o mundo se fizeram tendo como bandeira a defesa do povo e da Nação. Acredito que a construção um povo forte e uma Nação Soberana são passos importantes para mudanças verdadeiras nas estruturas de qualquer país. Defendo e amo meu país. Porém ser nacionalista não é fechar os olhos para as diferenças nem para os problemas brasileiros, mas reconhece-los e trabalhar para resolver o que deve ser resolvido e conciliar o que deve ser conciliado.
Tenho orgulho de ser Brasileira!
P.S. Um abraço especial a todos os amigos do Norte, Centro-oeste, Sul e Sudeste. Sempre fui bem recebida aonde cheguei e tratada com respeito e carinho por todos eles. Perto disso, provocações preconceituosas contra nordestinos tornam-se pequenas e sem importância.


domingo, 8 de maio de 2011

Mãe é Mãe...

O Amor da mãe é único, pois vivencia todas as mudanças no ser amado e as acolhe com alegria.

Primeiro eu era assim:

Mainha, Mick e eu na barrigona
Depois, assim:
"preferia que fosse em mim"
Depois fui tantas milhares de outras de mim, e ela seguiu me amando...

Te amo, Mainha!

Você sabe...filhos continuam SEMPRE precisando das Mães... e eu preciso de você TAMBÉM

Viveremos muitas mudanças felizes JUNTAS!

Beijos!

O dia em que saí de casa

O dia das mães faz a gente refletir sobre tudo que há de bom no colo de mamãe, o suquinho na hora certa, o exagero na atenção incomum, o carinho e o desejo de fazer isso por toda sua vida.

Vi o texto Para as mães dos filhos que caíram na estradade Xico Sá senti todos os passos da sua saída de casa a minha chegada ao Recife.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Minha bóia minha vida

Meu nobre... Pode crer, é muita água.

No Recife a pessoa cresce sabendo que é um pouco caranguejo, se pela tradição, cultura ou pelo espaço que se vive, na lama ou no asfalto, não importa, quase tudo é aterro onde um dia foi mangue.

Em todos os lugares que convivi nos últimos dias, com “pais e mestres” da pelada da terça, com amigos e companheiros da luta cotidiana a ladainha é sempre a mesma; causos e histórias vividas e sofridas nas ruas, carros e casas alagadas.

Muitos falam que o problema são as galerias sujas ou até mesmo que não foi pior porque as galerias estavam limpas, outros falam que não tem um sistema de vazão eficiente ou mesmo que o problema não tem jeito já que um terço da cidade está abaixo do nível do mar.

Fato é que do jeito que está não dá pra continuar.

E isso não é um fator isolado do Recife com um culpado específico, problemas causados pelas chuvas temos visto semanalmente em todo país. Inexoravelmente, não podemos culpar as chuvas pelas conseqüências desse fator natural. O que não é natural e a ocupação desordenada, os aterros estúpidos, o desmatamento criminoso dentre várias outras agressões que fizemos ao longo do tempo na maioria das cidades do país.

É hora de cuidar da nossa vida e da vida do planeta, acho que a reforma urbana é o que há de mais moderno a se fazer. Precisamos reintegrar a posse dos terrenos aos rios, florestas e mangues, reordenar o nosso conceito de mobilidade urbana e habitacional.

O caos não se instala apenas em dias de chuva, o transporte urbano é frágil, caro e antiquado. As ruas não foram projetadas pra esse momento de desenvolvimento urbano e econômico que atravessamos.

As provas estão dadas, agora é conosco, ou a gente devolve ou sai da frente. Eu prefiro interagir.

06.05.11

Gracias a La Vida


terça-feira, 3 de maio de 2011

Cazuza, meu Heroi Brasileiro


Pro dia nascer feliz...

Devo à minha mãe, Márcia, a oportunidade de ter conhecido desde cedo alguns dos principais músicos, cantores e bandas que povoaram a minha adolescência. Um repertório variado e eclético me acordava quase todas as manhãs de sábado. Vez ou outra me chamava a atenção uma voz rasgada e...como gritava, meu deus, o Cazuza! Além das músicas, havia as fotos e pôsteres que ela, minha mãe, colecionava. Colava nos cadernos da faculdade. Era lindo ele, o Cazuza. Suas letras, poses e voz sempre emanaram uma rebeldia que eram para mim ainda incompreensíveis.

A vida desse grande ídolo foi retratada em um filme com o Daniel Oliveira. Na minha opinião de pessoa totalmente leiga em assunto de cinema, posso dizer que o filme foi emocionante, só isso. A rebeldia de Cazuza ficou embotada pelas lágrimas e em muitos momentos torna-se vazia e sem causa. O “rebelde sem calça” (era como costumava brincar sobre si mesmo) foi injustamente retratado como um menino mimado, bajulado pelos pais, que não sabia o que queria. Tentaram, e tentam, limitar o grande artista, poeta e ser humano a (pré) conceitos pejorativos de Drogas, AIDS e bissexualismo.

É certo que foi de uma coragem imensa ao enfrentar sua doença de peito aberto, assumindo-a para sociedade. Porém, mais que um ícone da luta contra a AIDS, Cazuza era um rebelde contra a hipocrisia, a corrupção, o estado anestésico em que se encontrava a sociedade brasileira nos anos 80. O País estava saindo de uma ditadura e se deparava com a violência urbana, os altos índices de exclusão e o conservadorismo da tradição autoritária. Para se livrar das amarras da ditadura, alguns grupos e artistas rebelavam-se contra o sistema e o governo com posições que beiravam ao anarquismo, do tipo “sou contra tudo e todos”. A revolta era total, não havia nada a que se apegar. Mas ele, não. Cazuza tinha uma consciência política diferenciada desses grupos, sabia quem eram os inimigos do povo e do país, aqueles que levavam a sociedade ao imobilismo. E os denunciava.

O "rebelde sem calça"

Ainda hoje me admiro com a consciência de classe que demonstra em letras como “Burguesia”. Cazuza era burguês e sabia disso. Vinha de uma “boa família”, mas não se acomodou e nem se culpou por essa condição. Pelo contrário, se utilizou das oportunidades que recebeu para tentar mudar o mundo (“sou burguês, mas eu sou artista, e estou do lado do povo”). Com suas letras de críticas sociais cáusticas, escancarou a todos a manipulação da mídia e a entrega das riquezas nacionais aos países imperialistas. Amou, amou sem medidas nem preconceitos. Entregou-se intensamente à vida. Se muitos o veem como um marginal, eu o vejo como um cara com coragem para buscar a felicidade, recusando-se a obedecer aos padrões impostos por uma sociedade hipócrita.

Pra mim, mais que um ídolo musical, Cazuza foi um brasileiro que amou e defendeu seu país. Nos deixou a lição de que é preciso agir, se queremos transformar cultural, comportamental e politicamente a sociedade. E de que um país justo só se constrói com Pluralidade, Liberdade e Revolução!

“As pessoas vão ver que estão sendo roubadas
Vai haver uma revolução
Ao contrário da de 64”
(Trecho de “Burguesia”)
“(...)O momento é de criticar, de virar a mesa, de sair da merda. Antes eu me enrolei (na bandeira brasileira) foi aquele clima de Tancredo Neves. Eu estava, como todo povo, inebriado por um sentimento de mudança, de esperança. A coisa do vai-pra-frente, algo lindo, um movimento sincero que se esvaziou por erro dos políticos. No Rock in Rio, cantei por dez minutos com a bandeira, sonhei, acreditei. Quando eu era adolescente, também acreditava. A gente não tinha descoberto a vaselina, o conchavo. Entrava com garra mesmo. Nem sei mais se essa garra existe hoje com os novos adolescentes(...)
Mas os problemas do Brasil parecem ser os mesmos desde o descobrimento. A renda concentrada, a maioria da população sem acesso a nada. A classe média paga o ônus de morar num país miserável. Coisas que, parece, vão continuar sempre. Nós teríamos saída, pois nossa estrutura industrial até permitiria isso. O problema do Brasil é a classe dominante, mais nada. Os políticos são desonestos. A mentalidade do brasileiro é muito individualista: adora levar vantagem em tudo.
Educação é a única coisa que poderia mudar este quadro. Brasileiro é grosso e mal-educado, porque não pensa na comunidade, joga lixo na rua, cospe, não está nem aí. Este espírito comunitário viria com a cultura. Acho que o socialismo talvez possa trazer este acesso maior à cultura de massa. Fazer como o Mao Tsé-tung fez com a China. Educar todo mundo à força. Temos que estudar, ler, ter acessos a livros (...)” (Cazuza)
Trechos de “Cazuza por ele mesmo” em http://www.cazuza.com.br/