sexta-feira, 6 de maio de 2011

Minha bóia minha vida

Meu nobre... Pode crer, é muita água.

No Recife a pessoa cresce sabendo que é um pouco caranguejo, se pela tradição, cultura ou pelo espaço que se vive, na lama ou no asfalto, não importa, quase tudo é aterro onde um dia foi mangue.

Em todos os lugares que convivi nos últimos dias, com “pais e mestres” da pelada da terça, com amigos e companheiros da luta cotidiana a ladainha é sempre a mesma; causos e histórias vividas e sofridas nas ruas, carros e casas alagadas.

Muitos falam que o problema são as galerias sujas ou até mesmo que não foi pior porque as galerias estavam limpas, outros falam que não tem um sistema de vazão eficiente ou mesmo que o problema não tem jeito já que um terço da cidade está abaixo do nível do mar.

Fato é que do jeito que está não dá pra continuar.

E isso não é um fator isolado do Recife com um culpado específico, problemas causados pelas chuvas temos visto semanalmente em todo país. Inexoravelmente, não podemos culpar as chuvas pelas conseqüências desse fator natural. O que não é natural e a ocupação desordenada, os aterros estúpidos, o desmatamento criminoso dentre várias outras agressões que fizemos ao longo do tempo na maioria das cidades do país.

É hora de cuidar da nossa vida e da vida do planeta, acho que a reforma urbana é o que há de mais moderno a se fazer. Precisamos reintegrar a posse dos terrenos aos rios, florestas e mangues, reordenar o nosso conceito de mobilidade urbana e habitacional.

O caos não se instala apenas em dias de chuva, o transporte urbano é frágil, caro e antiquado. As ruas não foram projetadas pra esse momento de desenvolvimento urbano e econômico que atravessamos.

As provas estão dadas, agora é conosco, ou a gente devolve ou sai da frente. Eu prefiro interagir.

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