segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O Power nosso de cada dia...


Final de semana corrido e significativo em vários aspectos. Em meio à tensão de construir uma boa conferência Municipal do PCdoB, o alívio de dar tudo certo e o atraso pra pegar o ônibus pra Recife, sinto tudo girar em torno de um eixo de satisfação. Dá trabalho e cansa, ser muitas e eu mesma e mudar de novo a cada segundo.
Quase perdi a hora da rodoviária, pois a conferência acabou um pouco mais tarde do que previa. Por sorte minha mochilinha com algumas coisas estava no carro (cuidados do preto), pois saí  convicta de que daria tempo de passar em casa, tomar um banho. Não deu. Antes de ir, cai no meu colo mais um abacaxi bem chato de descascar: ainda problemas de campanha pra resolver. Tem jeito, mas dá trabalho.
Não podia deixar de ir, nem queria. Quando a gente ama de longe tem que respeitar a saudade e muitas vezes fazer sua vontade. A minha e a dele. Chegar linda, cheirosa, bem humorada e disposta. Sem cara amassada de quatro horas de viagem. Dá? A gente faz o que pode, mas às vezes alguma coisa fica pra trás. Dessa vez foi a calça jeans: só tinha vestido na bolsa. E curto! Não dá pra ir pra o debate na Assembléia Legislativa... tudo tem jeito.
Sair no sábado, voltar pra Maceió na segunda. Sempre compensa. Mais ainda em ouvir o pequeno dizer, pela primeira vez, que ficou com saudades e dizer antes de ir embora: “mas você só ficou um dia!” Tem como não querer voltar logo? E tem ainda o carinho, o cuidado de perto que há de se ter. Sem falar nas outras coisas...que são fundamentais. O bom é conseguir fazer tudo ao mesmo tempo, mantendo o ritmo de cada coisa.
Já me recolho, amanhã é terça e logo está na hora da transformação: arte de toda mulher.


Vamos lá meninas, amanhã ainda é terça-feira


P.S.  Também recebo neste fim de semana  a noticia triste de um amigo que se foi. Militante da UJS, Alexandre havia sido eleito delegado à Conferência Estadual do PCdoB. Dedicadíssimo. Há que se superar o insuperável. Fica a oração pelo conforto da família.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

14 conselhos para ter um infarto feliz


Quando publiquei estes conselhos 'amigos-da-onça' em meu site, recebi uma enxurrada de e-mails, até mesmo do exterior, dizendo que isto lhes serviu de alerta, pois muitos estavam adotando esse tipo de vida inconscientemente.
Duvido que você não tenha um belo infarto se seguir esses conselhos
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Dr. Ernesto Artur - Cardiologista

  1. Cuide de seu trabalho antes de tudo. As necessidades pessoais e familiares são secundárias;
  2. Trabalhe aos sábados o dia inteiro e, se puder também aos domingos;
  3. Se não puder permanecer no escritório à noite, leve trabalho para casa e trabalhe até tarde;
  4. Ao invés de dizer não, diga sempre sim a tudo que lhe solicitarem;
  5. Procure fazer parte de todas as comissões, comitês, diretorias, conselhos e aceite todos os convites para conferências, seminários, encontros, reuniões, simpósios, etc;
  6. Não se dê ao luxo de um café da manhã ou uma refeição tranqüila. Pelo contrário, não perca tempo e aproveite o horário das refeições para fechar negócios ou fazer reuniões importantes;
  7. Não perca tempo fazendo ginástica, nadando, pescando, jogando bola ou tênis. Afinal, tempo é dinheiro;
  8. Nunca tire férias, você não precisa disso. Lembre-se que você é de ferro. (e ferro enferruja! rs);
  9. Centralize todo o trabalho em você, controle e examine tudo para ver se nada está errado. Delegar é pura bobagem; é tudo com você mesmo;
  10. Se sentir que está perdendo o ritmo, o fôlego e pintar aquela dor de estômago, tome logo estimulantes, energéticos e anti-ácidos. Eles vão te deixar tinindo;
  11. Se tiver dificuldades em dormir não perca tempo: tome calmantes e sedativos de todos os tipos. Agem rápido e são baratos;
  12. Sempre vá dormir tarde todo dia e acorde cedo também, não perca tempo dormindo o necessário, pois dormir pelo menos 7h todo dia é coisa de gente boba;
  13. Seja sempre muito estressado e impaciente com tudo e com todos, afinal você é o único que poderá resolver qualquer coisa;
  14. E por último, o mais importante: não se permita ter momentos de oração, meditação, audição de uma boa música e reflexão sobre sua vida. Isto é para crédulos e tolos sensíveis.

Repita para si: Eu não perco tempo com bobagens.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Mãos ao alto: os desafios de ser uma militante política

-Teje preso!   -Mas o que eu fiz?   -Filiou-se a um partido político
Num mundo que prega a “imparcialidade” a “neutralidade” e outras “semgracices”, ter opinião formada pode ser uma atitude vista com desconfiança. Filiar-se a um partido político, então, é como perder um naco da credibilidade que o mundo presenteia aos que cumprem com presteza à tarefa de seguir sem questionar. Se você, como eu, é também filiado a algum partido político ou organização política já deve saber: pertencemos a uma “categoria à parte”, que merece ser observada, questionada e vista com muita, mas muita desconfiança.

Claro que não me acho inferior, nem superior, nem nada disso. Somos todos iguais em potencialidades, defeitos e virtudes, acredito. Mas essa... vamos chamar de desconfiança, existe sim e podemos percebê-la a todo momento, nos mais variados meios. Desconfia-se dos políticos, de todos eles. Desde o deputado até do professor que insiste em apresentar idéias questionadoras em sala de aula. E não vejo a corrupção ou o mau desempenho da função por alguns eleitos como motivos capitais dessa desconfiança. Há uma resistência, um senso comum, uma idéia difundida na sociedade de que quem tem opinião formada é sempre suspeito para falar, que quanto mais “imparcial” é o sujeito, melhor.

Esse “senso comum” é na verdade um poderoso aparato ideológico difundido com o objetivo de manter as coisas exatamente do jeito que elas estão. Se não se questiona, nada é mudado. É a despolitização das instituições, das profissões, da economia, dos problemas, do Direito, da educação, das relações sociais. Despolitização de tudo e de todos. Assim, o professor deve ensinar estritamente o que está no programa, nada de dar opiniões. Se isso ocorre, há o risco de a faculdade, ou os próprios alunos, questionarem que a matéria não está sendo passada. Profissionais que ingressam em sindicatos passam a ser vistos como “arrumadores de confusão”. Estudantes que ingressam no Movimento Estudantil são preguiçosos que não gostam de estudar. Pessoas que se filiam a partidos políticos querem enriquecer, estão corrompidos ou são no mínimo... muito suspeitas!  São tempos em que integrar um partido não é crime, mas beira à imoralidade. A radicalização dessa situação pode levar a uma absurda criminalização da política, pelo Direito, pela moral e o senso comum.

POLÍTICA?    NÔU    NÔU    NÔU
No meio disso tudo optei por ser uma militante, por me filiar a um partido político, um partido Comunista, o PCdoB. Não sei se conseguiria me sentir confortável de outra maneira que não fosse questionando e apresentando opiniões. A desconfiança que recebo faz parte. Fiz essa opção primeiro por acreditar que é possível modificar a atual estrutura da sociedade. O mundo não foi sempre assim e não precisa ser assim para sempre. Não é justo nem natural que alguns poucos recebam tantos benefícios à custa do sofrimento de tantos outros. Segundo, por entender que somente de maneira organizada poderemos chegar às mudanças concretas. São nas organizações sociais que o povo traça suas estratégias, propõe e age com mais força. Refletindo mais a fundo, percebi que os problemas do Brasil são tão profundos e complexos que não basta somente atuar como estudante, ou como mulher, ou ambientalista ou em uma área limitada. Era preciso atuar como agente político, que remexe toda a estrutura da sociedade, que apresenta alternativas para grandes mudanças. Pra transformar de verdade, é preciso Poder de verdade. Os partidos são a forma através da qual a sociedade pode se organizar para atuar politicamente em nosso país. A disputa pelos espaços de poder é legítima, mas foi afastada do povo pelo discurso da corrupção e da despolitização.

"PRU ou PCCT ou PQV ou PTDO ou..."
 Claro que ninguém é ingênuo de achar que todos os partidos estão imbuídos apenas de questões ideológicas, que todos os políticos trabalham por uma causa coletiva e que não há desvios ou corrupção nesse meio. Há, claro e muito, até porque são espaços de grandes batalhas, que envolvem grande decisões e...muito dinheiro! Grande parte da culpa por essa visão deturpada da política se deve à maioria de políticos e partidos que trabalham de maneira meramente eleitoreira, quando não, corrupta. Esses vícios podem ser combatidos, sim, e isso apenas se faz convivendo com eles. Por isso mesmo defendo uma reforma política que valorize a questão ideológica dos partidos, favoreca a pluralidade e transfira para o centro da batalha eleitoral o debate de idéias, não o poder econômico ou influência pessoal do candidato.

É "de candidato"??
 Por vezes me deparo com medidas de restrição à presença de partidos e agentes políticos em determinados meios, eventos e lugares. São medidas tomadas a pretexto de garantir a integridade ou a imparcialidade, mas que demonstram exatamente o medo de alguém que tem opinião. Essa restrição na verdade é ofensiva para todos, pois subentende a falta de opinião dos demais presentes que, coitados, por serem tão vazios, correm o risco de serem influenciados ou ludibriados. No fundo é também o medo de não saber contrapor, questionar ou apresentar idéias contrárias. Ora, não há nenhuma idéia ou má intenção que não possa ser desmascarada por outra idéia!
vista a camisa, tome partido, seja lá ele qual for
O que eu acho é que a participação política deveria ser estimulada desde a escola, com noções de Direito Constitucional e de História do Brasil DE VERDADE (não a versão da carochinha). O ideal seria que o engajamento em partidos e organizações fosse sentido por todos como um dever de cidadão, não como um projeto pessoal ou uma forma de conseguir privilégios. A repulsa à política, aos partidos e organizações apenas favorecem aos que contam com a ignorância e a inércia do povo para permanecerem onde lhes convém. É preciso acabar com essa idéia de que ser democrático é não defender idéia alguma, é não ter uma bandeira. Isso é ser alienado. Democrático é abraçar o debate de idéias e respeitar as diversas opiniões, mesmo que contrárias às suas.

Ser filiada a um partido requer paciência e firmeza, por todas essas questões. Trabalhar por um projeto coletivo quando a corrente do rio nos leva a nadar por projetos pessoais às vezes faz eu me sentir uma E.T., é verdade! Há quem me olhe com pena, lamentando que uma pessoa tão inteligente (cof, cof) poderia estar cuidando da vida de uma maneira mais digna, sem esse negócio de partido. Com muita educação devolvo a pena: fico com a satisfação de cada vitória conquistada.

"Fico com a satisfação de cada vitória conquistada"

P.S Nem tudo está perdido. Enquanto à procura de um local pra realização de um evento do partido ouvimos que determinado teatro público "não abre para eventos de cunho político" (hã?), realizamos na semana passada uma excelente discussão sobre o Código Florestal, organizada pelo PCdoB, no auditório da Faculdade Maurício de Nassau, que nos recebeu em nome do bom debate e da democracia. Nossos agradecimentos.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Quero andar de bonde



Não se pode negar o esforço feito pelos governos de forças progressistas que dirigem Pernambuco para encontrar saídas pro caos do transito da região metropolitana. De medidas corajosas a exemplo da inversão do fluxo de boa viagem, a caxangá e sua paralela até mesmo medidas que servirão de exemplos ridículos como a desagradável ‘obra’ da avenida conde da boa vista.

Não sou daqueles que acham que o problema é a existência de muito carro, que todo mundo hoje em dia tem um carro, não penso assim. Acho que as pessoas têm que ter seus automóveis, passear com a família, sair de rock com os amigos e até ir trabalhar. Acredito que nosso problema principal está na política de transporte de massa de qualidade.

Vejo com entusiasmo as intervenções que o governo de Pernambuco apresenta, com terminais integrados, corredores exclusivos e vias elevadas para ônibus. Tá massa. Mas é para ônibus. Sempre vi o centro do Recife com glamour, mesmo diante de tanta desorganização causada pelos ambulantes e pela extravagância do seu transito. Praticamente todas as linhas de ônibus do grande Recife passam pelo centro.

Desde 1999, quando deixei minha querida Petrolina pra morar no Recife, sonho em ver e andar de bondinho, como antigamente, circulando no centro da nossa capital ligando a “Estação Recife” a diversos pontos turísticos e comerciais. Desobstruir a Av. Conde da Boa Vista, usar a AV. Mário Melo (uma avenida inútil hoje em dia) e exterminar a existência de ônibus no centro fazendo-os retornarem do Derby e do parque 13 de maio.

O bonde elétrico no Recife foi oficialmente lançado no dia 13 de maio de 1914. Acompanhou o progresso, as mudanças socioeconômicas, a moda, as ascensões e quedas de governos. Com a segunda grande guerra, foi ficando mais complicada reposição de peças, motores elétricos, lâmpadas, madeiramento para os bancos, etc. O desaparecimento desses coletivos, que tantos e tão bons serviços prestaram aos recifenses, foi um processo lento e moroso. Enquanto foi possível manter o serviço, mesmo em condições precárias, o povo usou o bonde até sua extinção total no final dos anos de 1950.

É preciso requalificar os trens, modernizar os metrôs e o velho bondinho. Falo isso, porque luto e acredito num avanço civilizacional no nosso país. Uma metrópole que beira os 4 milhões de habitantes não pode estruturar seu sistema de transporte urbano baseado especificamente em ônibus, é preciso retomar o sistema de transporte via trilhos abandonado no século passado.

Book - a revolução tecnológica!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

“As dúvidas são muitas, mas tenho grandes certezas, e estas me movem”.

Entrevista concedida ao conversa.com, no blog do walter Sorrentino




Mirelly Francesca Sarmento Câmara. 27 anos, advogada, pós-graduanda em Direito Constitucional. Fui catequista na paróquia de Santa Luzia, em Maceió; coordenadora geral do Centro Acadêmico Guedes de Miranda (Direito UFAL); coordenadora financeira do DCE UFAL e Presidente estadual da UJS/AL. Hoje, presidente do PCdoB Maceió e Direção Nacional da UJS.

Mirelly, obrigado por esta conversa.com. Você é blogueira, o baiãodedois é legal e criativo. Como ele nasceu? Você gosta de escrever?

É bom participar dessa conversa, eu que agradeço o convite! Bem, o Baião é um Blog conjunto meu e de Ossi Ferreira, pensado com muito carinho e executado no imprensado do dia-a-dia. Criamos esse espaço com objetivos pessoais, como um canal de diálogo, já que moramos um tanto distante, mas também atentos à necessidade de colaborar na luta de idéias. Posso ser bem precisa quanto ao surgimento do projeto: foi durante o Encontro Sobre Questões de Partido, em SP. Lembro que falei na minha intervenção justamente da importância de os militantes colaborarem na compreensão da realidade brasileira através da elaboração e compartilhamento de opiniões. Partimos então para a prática e, juntos, um ajuda o outro e fica mais fácil. Porém não é um Blog monotemático: falamos de política, música, impressões do cotidiano, coisas de meninas e de meninos, de tudo um pouquinho. http:blogbaiaodedois.blogspot.com

Bem, mas quem é você? Uma jovem que já tem uma trajetória rica de atuação política na UJS. Como isso começou?

Sou filha de uma família de classe média. Estudei em escola particular, e aos 18 ingressei na Universidade Pública. Acredito que muito do que somos é formado pelas pessoas que temos à volta, então, o que sou hoje são também meus amigos e minha família. Meus pais são minha principal fonte de formação. Tenho um irmão, mais velho, de quem levei alguns cascudos, mas que também me protegeu sempre. Mainha às vezes nos levava para a universidade, quando tinha que assistir aulas e não tinha com quem nos deixar. Ela formou-se em Educação Física na UFAL e era também militante do Movimento Estudantil. Foi do DCE na Gestão Revertério. Acho que tudo começou aí. Ela e meu pai filiaram-se ao PCdoB e de certa forma havia já esse canal aberto quando ingressei na Universidade. Porém não havia uma influência direta e eu me sentia muito à vontade para circular entre os vários grupos e ideologias da Universidade. No 49º Congresso da UNE fui eleita delegada pelo curso, isso eu já estava no 4º ano da faculdade. Foi então quando me filiei à UJS e um ano após, ao PCdoB.

Você terminou os estudos? Gosta de ler, estudar?

Estou formada em Direito, já com a minha OAB, graças a Deus. No primeiro semestre de 2012 concluo minha pós em Direito Constitucional e vou tentar o Mestrado. Não sei quando, mas vou (risos). Não tenho muita pressa, vou devagar vencendo cada etapa e até agora essa estratégia tem dado certo. É o meu jeito: uma coisa de cada vez!

E quais são teus maiores outros gostos? Literatura, música, balada… Qual tua cara, Mirelly?

Gosto de trocar idéias com os amigos, vagar pela net, ver TV, namorar. Não sou muito baladeira, prefiro um programa mais light. Me atrai o contato com novas tendências da música, literatura e programas culturais. Mas não sou uma “bossal culturalesca”, de jeito nenhum! Passeio com tranquilidade entre conteúdos mais variados de jornais, livros e revistas; ouço forró, pagode, rock, reggae, bossa nova, samba; gosto de tudo um pouco. Fico profundamente irritada com rótulos e preconceitos que alguns insistem em impor a determinados conteúdos e ritmos. Pra mim, se é pra ser feliz, tá valendo! Minhas últimas aventuras: Livro, A Mulher de Trinta Anos (Balzac); Filme, Grande Demais para Quebrar; Música, baixei o DVD da Paula Fernandes!

Como e quando foi isso de PCdoB?

Minha militância iniciou-se na Universidade, o que lamento profundamente: gostaria de ter tido a chance de militar no ME Secundarista, tão de luta. No movimento estudantil de Direito tive minhas primeiras experiências e transitei por diversas correntes de pensamento. Cheguei a duvidar da importância de um partido político, influenciada por idéias do multiculturalismo ao anarquismo e teorias pseudo-revolucionárias. Foi, por incrível que pareça, no Fórum Social Mundial de Porto Alegre, em 2005, que caiu a minha ficha. Lá eram majoritárias as correntes da contra-organização, pelo movimento espontâneo, mas soaram mais conseqüentes aos meus ouvidos as sábias palavras de Boaventura de Souza Santos e José Saramago, alertando para a necessidade fortalecermos a democracia e os movimentos de chegada do povo ao Poder. Enquanto crescia minha admiração pelo Presidente Lula, em quem tinha votado, me encantou ver um presidente a discursar na defesa apaixonada do socialismo: Hugo Chavez. Não tive mais como deixar de enxergar o que tinha ficado óbvio: para chegarmos ao socialismo o povo precisa chegar ao poder. Para isso, é necessário um Partido de vanguarda, marxista-leninista, que compreenda com acuidade a realidade e aponte para o povo, caminhando junto com ele, o caminho para chegar lá. Daí para enxergar no PCdoB esse partido, foi um pulo. Ingressar no PCdoB foi uma decisão amadurecida, bem pensada e que mudou a minha vida. Na época, tanto eu quanto o partido aqui em Alagoas passávamos por momentos de definição e acredito que os rumos agora estão bem determinados. Tenho muito carinho e gratidão por esse partido, que foi e continua sendo essencial na minha formação política, profissional e de cidadã.

Você tão jovem já preside o partido em Maceió. Além da experiência política acumulada na juventude, quais características suas que você pensa fazê-la merecedora de tanta confiança do partido?

Acho que fui conquistando a confiança do partido na medida em que fui também confiando nele. Quando a gente acredita em uma causa nos entregamos a ela e, quando essa causa é justa, recebemos os méritos dessa entrega. Talvez minha experiência como catequista (de 2000 a 2005) tenha desenvolvido em mim uma capacidade de lidar com conflitos e diferenças desde cedo. A gente ensinava às crianças, mas muitas vezes tínhamos que lidar com problemas familiares, da comunidade, pessoais, enfim, ter habilidade para conjugar tudo isso.

Acho que é preciso paciência para perceber os frutos da nossa ação. Compreender que os resultados serão aqueles que a vida quer e que muitas vezes não corresponderão às nossas expectativas. Não cheguei ao Partido para saciar anseios pessoais, para “me resolver” ou “me encontrar”, mas para construir uma nova realidade para meu País. Ao contrário, essa luta muitas vezes requer que deixemos de lado projetos e planos, que percamos um pouco de nossa paz interior, nossa saúde, e tudo mais que o mundo aponta como necessário para sermos felizes. E, que contradição, é assim mesmo que sou feliz! Ser presidente do comitê da nossa Capital tem sido um desafio grande para mim, porém o partido pode ousar em confiar essa tarefa a uma jovem militante também porque nossa política é coletiva e conto com a parceria e experiência dos demais camaradas que me acompanham nessa peleja.

Como quadro de partido, jovem e mulher: o que mais faz falta em tua formação e na atitude do partido para tua formação?

Como militância pra mim não é passatempo, mas projeto de vida, tenho que conciliar o ritmo de tudo e isso às vezes exige mais dedicação a uma ou outra coisa em determinados períodos da vida. Porém nada que cause grandes transtornos à minha formação, que acredito ser, acima de tudo, responsabilidade própria minha. Não vejo que minha condição de mulher ou de jovem tenha dificultado minha trajetória em ponto algum. Se houve dificuldades nesse sentido, não percebi. Sinto que o Partido tem crescido muito e por vezes, infelizmente, não temos pernas para acompanhar esse crescimento. Vi alguns companheiros se perderem na batalha, pela vida, por questões pessoais ou políticas e me entristece que não tenhamos tido condições de trabalhar mais próximo a eles e talvez evitado o afastamento. Por isso mesmo vejo com grande entusiasmo essa nova política de acompanhamento de quadros do PCdoB.

Juventude brasileira – qual a cara dela, os anseios dela, segundo tua vivência?

Isso de decifrar a juventude é bem complicado. Sempre é complicado generalizar. Acredito que hoje há uma busca maior por auto descoberta. A internet ampliou o mundo de tal forma que já não sabemos o que é real e o que é “fake”. A cultura massificada acaba por massificar também grande parte dos nossos sonhos. Por outro lado, há a oportunidade para a criatividade, e a opinião e personalidade de cada um se globaliza na blogsfera.

Vemos por todo o mundo os jovens rebelando-se, em busca de melhores condições, mais oportunidades. A juventude não é alienada e passiva, como a mídia tenta passar. Acontece que é muito difícil desvendar a cortina de fumaça que lançam à nossa frente e passar a enxergar os verdadeiros fios e cabos que movem toda a estrutura.

Hoje no Brasil novas perspectivas foram abertas. Mais possibilidades de formação, de ingressar na Universidade, de fazer um projeto dar certo. Vejo um certo otimismo no ar, apesar das dificuldades externas e dos grandes dilemas internos.

Mas as dificuldades para a juventude são grandes, pois não?

É, são grandes mesmo! O “mundo moderno” exige muito do jovem, que se decida, que produza, que se forme, profissionalmente e pessoalmente, cada vez mais cedo. Felizmente não caí nessa pilha: quero ser competente e feliz, naquilo que eu escolhi ser. E como e quando vou escolher… eu que decido! Também vejo como uma ilusão essa de “escolha definitiva”. A vida está aí pra ser vivida e o mundo é complexo demais para ser reduzido a escolhas feitas na juventude. Acho que esse é um grande dilema hoje para os jovens, que são cobrados para encontrar soluções para os problemas do mundo, porém apenas lhes são apresentadas ferramentas para solucionar questões individuais, em âmbito familiar ou corporativo. Ainda faltam perspectivas e oportunidades, exige-se compromisso com uma sociedade que não os acolhe e apego a causas que lhes foram impostas. Conseguir vencer tudo isso e passar a integrar um projeto coletivo, com responsabilidades compartilhadas, para além da competição, requer esforço pessoal, mas também um tanto de sorte, tanta é a pressão e o controle ideológico contra tal.

E você? Onde você pensa estar ou alcançar em dez anos?

Olha, em meu coração tenho Maceió como a melhor e mais bonita cidade do Brasil. Com muitos problemas, sim, mas não a trocaria por nenhuma outra. Apesar disso, porém, apenas duas coisas me fazem ainda estar aqui: a militância no PCdoB de Alagoas e meus pais. Meu coração está dividido irremediavelmente entre Alagoas e Pernambuco e creio que isso nunca mais se resolverá! Eu e Ossi temos conversado e em breve chegaremos a uma definição quanto a isso. Ele mora em Olinda, tem uma vida lá e para mim seria mais fácil sair do meu lugar para acompanhá-lo. Chega uma hora em que a gente quer o nosso cantinho e isso fica mais forte que o aconchego da casa dos pais. Por outro lado, sei que ainda tenho muito trabalho a fazer por aqui, são muitas demandas, muitas expectativas. Alagoas merece crescer, se desenvolver e sinto que o melhor que posso fazer pela minha terra é contribuir para o avanço na sua política. Vejo isso como um dever ao qual não posso me furtar.

Ainda não decidi se quero ser mãe, gostaria de já ter claro isso: SIM ou NÃO! Mas a dúvida persiste e acho que quem vai acabar decidindo por mim será a natureza mesmo. Profissionalmente, pretendo avançar nos estudos e, quem sabe, dar aulas, ser professora. Sim, é uma coisa que gostaria de fazer.

Então, tudo isso eu falei para dizer que: não sei como será daqui a um ano, quem dirá daqui a dez! Sei que quero continuar militando no PCdoB, crescendo profissionalmente, colaborando na luta de idéias, e permanecendo ao lado das pessoas que amo. As dúvidas são muitas, mas tenho também grandes certezas, e são essas que me movem.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Manifesto: Maceió Merece Mais Democracia

Na manhã do dia 08/08, várias lideranças, partidos, entidades e organizações reuniram-se para debater a temática da ampliação da representatividade na Câmara de Maceió. Como resultado, elaborou-se uma carta-manifesto, subscrita por todas as esntidades que corroboram com as mesmas ideias. Acreditamos que essa ampliação não apenas é possível como necessária ao fortalecimento da democracia em nosso Município.

Solicitamos que demais entidades, lideranças ou cidadãos que queiram assinar enviem um email para democraciamaceio@gmail.com com o nome completo e entidade que faz parte e/ou profissão.

Em breve estaremos realizando um grande debate público, aberto à população, para que se possa avaliar todas as questões pertinentes ao tema.

Colabore repassando este email e divulgando o Manifesto em sites, blogs ou outras mídias

Saudações!

MACEIÓ MERECE MAIS DEMOCRACIA

Tendo em vista o debate público acerca do aumento da representação popular na Câmara de Vereadores de Maceió, os partidos, entidades e lideranças que abaixo subscrevem vêm a público apresentar à população alguns esclarecimentos e opiniões.
Primeiramente, temos convicção de que o aumento do número de vereadores é medida democratizadora, visto que possibilita uma maior participação popular no Parlamento.
A representação do povo é o fundamento do Parlamento e da Democracia e os critérios de representação devem acompanhar o aumento das demandas sociais. Hoje essa representação está defasada, se considerarmos que Maceió possui o mesmo número de 21 vereadores há mais de 30 anos, tendo a população crescido nesse período quase 200%. Ainda, em número de bairros passamos de 14 para 52, um aumento bastante significativo. A proposta de aumento de vagas na Câmara é importante para a correção dessa proporção da representatividade.
A própria Constituição Federal preocupa-se em restabelecer essa proporcionalidade, estipulando através da Emenda Constitucional 58/09 que Municípios do porte de Maceió podem ter até 31 vereadores, sendo dever das Câmaras Municipais corrigir as distorções na sua representatividade.
Por fim, está clara a condição de que os recursos financeiros recebidos pelo Parlamento não poderão sofrer acréscimo, visto que a própria Constituição Federal determina o limite de gastos, ainda que aumentado o número de vereadores, tendo inclusive reduzido o valor do repasse para o Legislativo. Ou seja: a proposta apresentada atualmente não acarretará em aumento de despesa para o Poder Público.
Somos, por todo o exposto, a favor da Proposta de Emenda à Lei Orgânica para ampliação das vagas na Câmara de Vereadores de Maceió e convidamos as demais entidades, organizações, associações, diretórios municipais de partidos políticos a participar conosco dessa discussão. Maceió só tem a ganhar com a ampliação da democracia, pluralidade e representatividade na sua Câmara Municipal.

Diretório Municipal do PDT - Maceió
Diretório Municipal do PT - Maceió
Comitê Municipal do PCdoB – Maceió
Força Sindical
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB
União da Juventude Socialista – UJS
Netinho Barros – Vereador pelo PSC
Eduardo Canuto – Vereador pelo PV
Francisco Holanda Filho – Vereador pelo PP
Ricardo Barbosa – Vereador pelo PT
Marcelo Malta – Vereador pelo PCdoB
Paulo Corintho – Vereador pelo PDT
Jadson Luna – ONG HMJUMAL
Diogenes Lins de Lima (HMJUMAL)
Thiago Souza Santos – Mmebro do CA de Administração UFAL
João Carlos Cirilo – Diretor da UBES
Claudia Petuba – Diretora da UNE
Nivaldo Mota – Professor
Francisco de Assis Chaves Júnior – Advogado
Daiane Correia – Estudante
Dario Rosalvo – Membro do Grêmio do IFAL
Renato de Freitas – Membro do CA de Psicologia CESMAC
Ismael – Membro do Diretório Municipal PDT
Leandro Neves

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Vou ser pai


Ouvi assim “estou grávida.” Dessa frase pra sempre minha vida virou completamente; planos, idéias, ação, horários, comportamento, jeito de dirigir... Tudo mudou.

Primeiro foi assimilar, ‘vou ser pai’, cair a ficha do que será sua vida com essa nova responsabilidade. A partir desse momento são dois pra tudo, pros projetos de trabalho, de vida ou de aventuras. Passar a medir as conseqüências com projetos mais seguros do que os comuns até então.

No meu caso mergulhei na gravidez e amei a idéia de ser pai, queria do ‘meu jeito’ saber de tudo; como vai ser o desenvolvimento e o tempo do feto, esse batimento cardíaco na ultrasom é normal? Por que ele tem a cabeça tão grande? Vai ser parto normal? Qual a implicância da cesariana? Pra mim, não teria nem um problema se o grávido fosse eu. Acho massa e muito bonito a gestação. Mas foi assim que Deus quis, né?!

É a natureza, reproduzir faz parte dela. Mas cuidar não é muito natural não. Dar banho, limpar o tempo todo, alimentação cheia de critério, horário e medida e limpar de novo. Tá chorando: é fome ou dor? Ah, ah, ah... não tem jeito e tome uma mamadinha, dormiu. Só que o danado acorda vinte minutos depois e a gente com cara de paspalhão vai todo feliz acalmar a criatura mais linda do mundo.

Não me entendo na vida sem o caráter encorajador e a segurança que meu pai sempre me fez ter. E assim será, dar tranquilidade ao meu pequeno pra ele ter firmeza pra alcançar o que deseja. Ser pai foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Me fez forte pra sair e enfrentar os desafios que a sobrevivência nos impõem e atribui, ao mesmo tempo, a sensibilidade necessária pra entender que viemos ao mundo pra amar e ser feliz.