sábado, 3 de setembro de 2011

Como Acontece? A montagem de uma chapa de vereadores


" - Alguém aí vai sair pra vereador?"

Já declarei outras vezes a opinião de que a formação política do cidadão é fundamental para o amadurecimento de toda a sociedade. Infelizmente nossa estrutura de Poder e a forma como a política é desempenhada no Brasil muito pouco favorece a essa formação. A vida dos agentes públicos parece muitas vezes distante, e a população tem pouco contato com as práticas mais básicas e elementares da atividade política. Um exemplo disso é o processo de organização das candidaturas e chapas para a disputa eleitoral. A falta de informações dos bastidores faz com que a política se assemelhe a uma cartola de onde de uma hora pra outra PIMBA!, surgem os candidatos: prefeitos, vereadores, senadores, governador, todos saindo da convenção e prontos pra campanha. Como presidente municipal do PCdoB tenho acompanhado de perto esse processo, que exige habilidade, persistência e dedicação. Em algumas linhas posso relatar um pouco de como essa experiência tem se dado em nosso partido.
Começo falando do grande momento por qual passa o PCdoB em todo o país. Crescimento, avanço, visibilidade. Esse novo momento nos impulsiona a abraçar novos desafios: tornar o Partido Comunista cada vez mais influente nas idéias e na política brasileira. Acreditamos que podemos dar uma contribuição consistente ao desenvolvimento brasileiro, ajudar a melhorar a vida do povo. Causa justa, programa socialista renovado, vamos às ruas! Nesse rumo, o PCdoB adota uma interessante estratégia para as eleições de 2012: formação de chapas próprias de vereador, com candidaturas a prefeito onde for possível. Atenção especial para as capitais.
Em resposta a essa orientação nacional, mas também atento às demandas locais, o Partido em Maceió pôs em andamento uma tática diferente daquela adotada nas eleições anteriores: ao invés de concentrar as forças da militância em uma ou duas candidaturas com chances de disputa e apoiados em uma coligação, optamos por construir uma chapa própria de vereadores, ampla, diversificada, representativa e viável. A coligação não está descartada, mas digamos assim, que a chapa própria é o plano número 1. Hoje contamos com um mandato do PCdoB na Câmara Municipal, com o vereador Marcelo Malta. Com essa estratégia, objetivamos conquistar no próximo pleito, no mínimo, duas vagas.
Já adentramos no mês de Setembro e agora corremos contra o tempo. Estamos nas últimas semanas para o fim do prazo de filiação, para aqueles que querem se candidatar. É preciso estar filiado ao partido escolhido até um ano antes do pleito, ou seja, até outubro desse ano para quem quer se candidatar em 2012. Essa dança das cadeiras nos partidos, numa primeira visão, parece ser meio sem lógica: uns saem de lá pra cá, outros de cá pra lá. Na verdade lógica existe, melhor dizendo, lógicas existem, pois os motivos e fatores políticos, econômicos e ideológicos que movem a formação de uma chapa ou uma filiação são infindos.
O que geralmente se busca na corrida eleitoral é a chamada “viabilidade”. Essa viabilidade diz respeito ao tamanho e peso da chapa. Quantos votos o grupo é capaz de arrecadar e quantos votos cada candidato pretende obter. Nesse sentido, buscamos uma chapa que seja viável para nossos candidatos, combinando essa viabilidade com o nosso perfil partidário.  Consideramos o campo político no qual estamos inseridos, nacionalmente com Dilma e localmente junto aos partidos que marcharam juntos na eleição de 2010 em torno da candidatura de Ronaldo Lessa. Somos oposição ao atual governo de Alagoas, e isso também está bem claro na estruturação da nossa chapa.
Outro ponto de destaque é o perfil das candidaturas. O PCdoB vem amadurecendo em todo o Brasil uma política de ampliação do Partido, ou seja, abrir as filiações para pessoas que se identificam com os ideais democráticos e progressistas. Tal movimento de abertura podemos fazer, principalmente, porque confiamos na nossa estrutura partidária, na nossa capacidade de formar quadros e de identificar e resolver  problemas internamente. Se um cidadão deseja apresentar à população uma candidatura de espírito avançado, democrático, com trabalho concreto e perspectivas de mudanças, esse projeto cabe no PCdoB. Esse perfil tem sido observado na nossa construção em Maceió, buscando por entre os militantes do partido, e já temos alguns nomes importantes, mas também na sociedade, nos movimentos sociais, entre os jovens, lideranças de bairros, trabalhadores, artistas e pessoas que já tiveram a oportunidade de se candidatar em pleitos passados.
Chegamos então a um momento ao qual posso me referir como “busca por candidatos”. Alguns demagógicos podem se escandalizar com esse termo, mas, se quero retratar as coisas tal e qual elas são, acredito que esse é o termo que melhor explica o que acontece nesse período. Uma corrida de todos, eu disse TODOS, os partidos por filiações. Alguns com maior intensidade, outros de forma bastante pragmática, uns de maneira mais tímida, sem maiores pretensões.
Como não é da nossa política contratar pessoas pra se candidatar nem manter lideranças à base do clientelismo, optamos pelo caminho que nos cabe: apresentar nossas idéias e possibilidades, nosso projeto, e convencer pessoas a aderirem a ele. Ligamos, marcamos uma conversa e vamos munidos do Programa do Partido e do nosso projeto eleitoral. Reunimos semanalmente os pré-candidatos e pessoas que querem conhecer melhor o grupo. Trocamos idéias, sugerimos novos nomes. Fazemos assim para ficar claro que é uma chapa construída com a participação de todos, onde cada passo é público e aberto a sugestões. Não tem filiação “às escondidas” nem bomba no dia da convenção partidária.
É claro que esse método - que alguns chamam de rústico – é o caminho mais trabalhoso e pode não ser o mais eficiente. Lutamos aqui para alcançar o patamar que o PCdoB atingiu em alguns estados e cidades, em que as próprias lideranças se mobilizam e chegam às fileiras partidárias. Até lá, vamos fazendo assim, com os pés no chão, do nosso jeito. Nossa aposta é na vontade que o povo de Maceió tem de conquistar uma vida melhor. E tem dado certo!

Não posso aqui deixar de reafirmar a importância e urgência da Reforma Política. Nosso trabalho estaria em muito facilitado se nossa estrutura eleitoral primasse as idéias às pessoas, os partidos aos projetos pessoais. O financiamento público de campanha pode uniformizar as campanhas e dessa forma democratizar o pleito e ao mesmo tempo coibir a corrupção. O voto em lista fechada põe em destaque trabalho coletivo, as idéias do grupo, relativizando a influência pessoal do candidato. Com essas mudanças, dentre outras, com certeza estaríamos em outro patamar na construção da nossa chapa.
Bem, acredito que deu pra pincelar rapidamente minha visão do processo de montagem de chapa pra vereador. Espero que, além de contribuir para a boa formação política, tenha também conquistado mais um para essa batalha. Minhas segundas intenções aqui são claras: se identificou? Então venha ser candidato a vereador pelo PCdoB!