terça-feira, 7 de maio de 2013

É faroeste, cabôco!


Qualquer um que trabalhe com segurança sabe os limites entre proteger e pôr em risco uma comunidade. Abrir fogo em de uma área residencial não é apenas um erro, mas um crime. Seja aqui no meu bairro, nos EUA, na Ponta Verde ou na favela. Qualquer profissional possui limites para atuar na sua profissão e deve respeitá-los, mesmo que esteja cheio de boas intenções, até mesmo na tentativa de fazer o que acha melhor para o resultado do seu trabalho.

Aqui, não existem dois lados: quem está do lado da polícia e quem está do lado do bandido. Nesse caso não estou do lado de nenhum dos dois. Errado estava o traficante, por motivos óbvios, errada também foi a condução da operação por abusar das suas prerrogativas e por em risco pessoas inocentes que poderiam ter sido atingidas.

Trabalhar com segurança pública é perigoso? Sim é. Muitos policiais trabalham em condições subumanas, pondo em risco suas vidas e de sua família diariamente? Sim é verdade, e é revoltante que seja assim. Porém essas condições não os legitimam a agir deliberadamente contra a lei e ignorar todas as regras básicas de proteção à comunidade, como nesse caso da perseguição.

Então sou a favor da impunidade para o traficante? Claro que não! É absurdo considerar que fazer críticas ao trabalho da polícia é defender bandido. Ninguém está acima do bem e do mal, e a polícia comete erros sim, e muitos. Mas se nós, cidadãos, não pudermos apontá-los, quem o fará?

Já adianto que não sei que tipo de solução deveria ser empregada naquele momento. Não sou especialista no assunto, não recebi formação nenhuma para tal. Mas com certeza deve haver alguma. E se não houver, precisa ser pensada rapidamente. Mas de uma coisa tenho certeza: Abrir fogo em área residencial pondo em risco a vida de inúmeras pessoas para caçar um traficante, por mais perigoso que ele seja, não é uma alternativa racional em nenhum lugar do mundo! É abusiva onde quer que ocorra.

Apoio totalmente a luta por melhorias em todo o sistema de segurança pública. Apoio a luta justa por incentivos e reconhecimento, por condições dignas de trabalho dos profissionais comprometidos em garantir a nossa segurança. Imagino que, no dia a dia, tomar decisões em situações limite deve ser barra e que muitas vezes são os indivíduos que acabam pagando por deficiências de um sistema quase falido. Luto por tudo isso, mas sem deixar de defender o meu direito de sair de casa sem ser atingida por uma bala. Seja disparada pelo do bandido, seja pelo mocinho. Me recuso a concordar que nossa única alternativa seja viver como nos antigos filmes de faroeste, no meio de um BANG BANG.

OBS: Enquanto escrevo este post, recebo a notícia de mais um assassinato em Maceió. A questão da violência é gravíssima e apenas com a reunião de forças da sociedade poderá ser resolvida. Autoridades,sociedade e governos  precisam fazer esse debate urgente, de maneira séria. Enquanto isso, continuamos a "acender velas" na TV.

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