terça-feira, 11 de junho de 2013

Cartas à única sobrevivente...

Ló e Graça


Sim, ele também escreveu cartas de amor. É incrível que o mesmo Graciliano Ramos de Memórias do Cárcere tenha, já na meia idade, viúvo e pai de quatro filhos, escrito essas palavras repletas de pieguices e exageros de homem apaixonado, dedicadas a uma jovem mulher, quase adolescente. O amor é capaz de fazer-se debulhar até mesmo o autor de “Vidas Secas”.

Alguns trechos  de CARTAS DE AMOR À HELOÍSA:

“Tenho observado nestes últimos tempos um fenômeno estranho: as mulheres morreram. Creio que houve epidemia entre elas. Depois de dezembro foram desaparecendo, desaparecendo, e agora não há nenhuma. Vejo, é verdade, pessoas vestidas de saias pelas ruas, mas tenho certeza de que não são mulheres. (…) Morreram todas. E aí está explicada a razão por que tenho tanto apego à única sobrevivente” 

“És uma extraordinária quantidade de mulheres. Quando me vieste pedir não sei que para o Natal, eras uma. Depois, em um só dia, ficaste duas, muito diferentes da primeira. Desejei ver qualquer das três e levei à casa do padre um bacharel que vendia livros. Apareceu-me outra. Daí por diante o número cresceu, cresceu assustadoramente. Na sexta-feira, antevéspera de tua partida, encontrei pelo menos vinte. No sábado, em nossa casa, havia uma na sala, outra na sala de jantar, dez ou doze ao pé da janela. És multidão. Como me poderei casar com tantas mulheres? O pior é que todas me agradam, não posso escolher.”

A primeira mulher de Graciliano Ramos, Maria Augusta Barros, morreu 1920, deixando-o com quatro filhos menores. Em 1928, Graciliano casou-se, em Maceió, com Heloísa Medeiros.

Heloísa nasceu em Maceió em janeiro de 1910, e faleceu em julho de 1999. Aos dezoito anos casou-se com o viúvo Graciliano Ramos, herdando do relacionamento anterior os enteados: Márcio, Júnio, Múcio e Maria Augusta. De sua união com o escritor nasceram mais quatro filhos: Ricardo, Roberto, Luiza e Clara. Enviuvou muito cedo, aos 43 anos de idade, no dia 20 de março de 1953. E nunca mais se casou. Iria dedicar o resto de sua vida à administração da obra de Graciliano Ramos.

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