domingo, 28 de julho de 2013

A Tradição da Tolerância

Peregrinos de vários países participaram da Jornada Mundial da Juventude
A visita do Papa Francisco ao Brasil, em ocasião da Jornada Mundial da Juventude, mobilizou milhões de pessoas, em sua maioria jovens, e levantou questionamentos acerca da nova postura que o Papa propõe à Igreja perante seus fiéis. Apesar de enfatizar que sua visita possui caráter meramente religioso, e não político, Francisco deixa transparecer em seus discursos uma forte crítica à exclusão e à miséria causadas pelas desigualdades e acentuadas pela crise global.

A relação entre a religião e o Estado também veio à tona nesse momento. Quanto a este assunto o Pontífice declarou que "A convivência pacífica entre as diferentes religiões é beneficiada pela laicidade do Estado, que, sem assumir como própria nenhuma posição confessional, respeita e valoriza a presença do fator religioso na sociedade". A declaração vai ao encontro das opiniões de que o Estado laico deve reconhecer e garantir o direito à existência de todas as religiões e não configurar-se como um “Estado antirreligioso”. Essa é a tradição dos movimentos democráticos no Brasil que advogaram pela tolerância e não pela castração das manifestações religiosas.

Essa tradição da tolerância religiosa foi implantada no Brasil por meio de emenda à Constituição de 46, proposta, aliás, pelo comunista Jorge Amado. Motivado a dar fim à perseguição que sofriam as religiões de matriz africanas, o deputado baiano propôs o dispositivo da garantia da liberdade religiosa. O dirigente histórico do PCdoB João Amazonas reforçou a importância dessa conquista, afirmando que a liberdade religiosa é um direito do povo e que “não podemos mudar as crenças do povo e a concepção das pessoas por decreto e com medidas de hostilidades...”

O brasileiro é um povo religioso, místico, basta observar a presença de rituais religiosos nos principais momentos da vida em sociedade, desde o nascimento até a morte. Em entrevista ao programa Roda Viva, o antropólogo Darcy Ribeiro, apesar de não se considerar um religioso, faz deferência a essa religiosidade do brasileiro, especialmente a católica. Para ele “Esse é um sentimento muito sério, muito profundo, ainda que você não seja um militante religioso, você está impregnado disso.”


Afilio-me, portanto, aos que acreditam que a religiosidade do nosso povo deve ser tratada com tolerância. Estando diante da grande batalha travada pelos povos contra as mazelas do neoliberalismo, creio que é possível e necessário encontrar as confluências possíveis com os milhões de católicos brasileiros, hoje guiados por um Papa que afirma que: “O futuro exige de nós uma visão humanista da economia e uma política que consiga cada vez mais e melhor a participação das pessoas, evite o elitismo e erradique a pobreza. Que não falte a ninguém o necessário e se assegure a todos dignidade, fraternidade e solidariedade".

sábado, 20 de julho de 2013

Detroit em Ruínas




Crise global acentua decadência do que já foi o quarto maior município dos EUA

Berço da indústria automobilística dos Estados Unidos, a cidade de Detroit, que chegou a ser a quarta maior do país, tornou-se nesta quinta-feira a maior cidade americana a declarar concordata.  Em 50 anos, cerca de um milhão de pessoas abandonou a cidade, quase a metade de sua população.
No ápice da indústria do automóvel, após a Segunda Guerra Mundial, Detroit tinha uma das mais pujantes economias dos Estados Unidos. Hoje o cenário é outro. A crise do capital, que afeta fundamentalmente o coração do sistema capitalista, agravou ainda mais a crise de Detroit. O desemprego obrigou os habitantes a saírem da cidade, em busca de novas oportunidades, e essa debandada é visível nas ruas vazias e casas abandonadas. Bancos, shoppings, prédios públicos, lojas, tudo abandonado, vazio, depredado, saqueado.  A população, que antes era de maioria branca, “enegreceu”.

Trata-se de um caso emblemático do efeito devastador das leis fundamentais do mercado sobre a civilização.

Estação Central de trens de Detroit


"Fechado para sempre"

Antigo cinema


Mais fotos impressionantes que mostram porque hoje Detroit é chamada de cidade-fantasma  http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=846326


quarta-feira, 10 de julho de 2013

Referendo não, eu quero é PLEBISCITO!



A presidenta Dilma está insistindo na ideia de se fazer um plebiscito prévio à reforma política. Eu estou com ela, por várias razões. Aqui respondo a questionamentos feitos pelo professor Luis Flávio Gomes.
     
     1.      antes da reforma política, que também é urgente para tentar limpar a corrupção endêmica no poder político e governamental (...) está a melhoria dos serviços públicos

Até parece que o ilustre professor não sabe: quem faz as modificações no sistema de saúde, educação, segurança, dos serviços públicos em geral são justamente os políticos. As regras eleitorais precisam mudar IMEDIATAMENTE, para que alguma possível mudança nos serviços públicos possam ocorrer. Um coisa decorre da outra e é exatamente por isso que a presidenta Dilma insiste na urgência da Reforma Política: muitas das políticas benéficas ao povo que o governo tenta adotar são estancadas no próprio Congresso ou esvai-se na falta de compromisso das instâncias locais. A reforma política não é apenas para atacar a corrupção, é essencialmente para que as regras eleitorais possibilitem a ascensão de políticos comprometidos com as pautas das ruas.

     2.      “Estou com a sensação de que parte da classe governante (governantes e políticos) está, com o plebiscito, adotando a estratégia a distração, para manipular a população.


Sensação errada: a classe dominante representada pelos políticos que se beneficiam do status quo estão CONTRA o plebiscito. Apenas uma minoria (que não tem medo da opinião popular) está ainda firme na defesa de que o povo tem sim condições de dizer o que acha do sistema político no Brasil. O governo está dividido nesse sentido, visto que o PMDB, forte partido da base aliada, manifestou-se contra na figura do vice-presidente e do presidente da câmara mostram-se contra o plebiscito. Já a presidenta, juntamente com os partidos também da base PT, PCDOB, E PDT, mostram-se a favor. A reforma política ataca uma das raízes centrais dos problemas do Brasil, e por isso não pode, na minha concepção, ser considerado “distração”.

     3.      “O plebiscito custa caro e não tem condições de sair rapidamente.
Ouvir o povo sempre sai caro, sempre é “inconveniente”. Porém mais caro pagamos se omitindo em fazer isso agora, nesse momento em que a política está na pauta das ruas. Perderemos de aproveitar o interesse da população em opinar, em procurar saber, em se informar, em decidir. Existem coisas pelas quais vale a pena pagar caro, essa é uma delas.
Quanto a sair rapidamente, todos nós sabemos que quando se tem vontade política, até água vira vinho em questão de minutos. Por outro lado, quando não há interesse político de que alguma mudança seja feita, por mais simples que seja, demora-se anos. Essa reforma política é uma delas: estão há 12 anos discutindo no Congresso, porque agora uma proposta para o referendo sairá tão rapidamente? Tudo é questão de VONTADE POLÍTICA. Com uma grande campanha de esclarecimento e muitos debates há tempo hábil sim para que as pessoas formem opinião sobre o assunto.

       4.      “a proposta do plebiscito, nessa altura, é típica de quem não está entendendo nada do que está ocorrendo com nossa democracia, que está se transformando de representativa (elegemos os parlamentares que representam “nossos” interesses gerais) para vigilante”

Avançamos para além da esdrúxula “Democracia Vigilante”. A proposta de plebiscito vêm daqueles que não se contentam com vigiar. Acho que “vigilância” não é o que querem as pessoas nas ruas. Queremos participar, somos a favor da democracia PARTICIPATIVA, e o plebiscito está intrinsecamente vinculado a isto.

     5.       “melhor seria que o parlamento atual (...) começasse a votação da reforma (por meio de uma PEC), que vai ser “vigiada” ponto a ponto(...). Na democracia vigilante tudo é acompanhado de perto. Logo, vamos nos manifestando diariamente sobre todos os pontos da reforma. Depois, no final, já inteirados de tudo, daremos ou não nosso referendo. Avante Brasil!

Proponho o movimento contrário: primeiro ouvimos o povo, PARTICIPAMOS, opinamos sobre as questões centrais. Depois o congresso regulamenta o que foi decidido por nós, e aí sim, sob nossa vigilância e acompanhamento. No final, teremos uma reforma política com maior participação popular e igualmente “vigiada”, que tal?

Avante Brasil! Referendo não, eu quero é PLEBISCITO!