terça-feira, 25 de março de 2014

Óia eu aqui de novo

Voltei. Depois de uma grande temporada longe dos telhados, resolvi atender ao conclame do esforço concentrado da “marcha da família”, das milhares de cartas recebidas, dos screps, msgs, torpedos, zapszapadas e até mesmo de alguns cartazes “blogbaiaodedois padrão fifa” nas passeatas de junho, enfim, voltei a me dedicar ao nosso blog.

Como já havia dito lá no inicio dos planos desse diário, a intenção aqui é dialogar um pouco sobre as proezas nossa de cada dia, com a cara e a coragem de quem quer construir um tantinho mais de cidadania.

Bora ver...

As pequenas coisas



Pequenas coisas
Átomos, partículas, sopro
Pequenas coisas
Olhares, sorrisos, palavras

O tudo não começa do nada
Ele começa sempre que há
Uma pequena poeira de coisa

Ela entra na pele
Rompe a artéria vital
E faz da poeira o caos

Pequenas coisas são minas
Enterradas no chão do calendário
Elas explodem


Pequenas coisas são bombas

quarta-feira, 19 de março de 2014

Tracy Chapman: uma voz, muitas lutas


Tracy Chapman era iniciante em 1988, quando encarou uma plateia de milhares de pessoas, em uma homenagem a Nelson Mandela no estádio de Wembley.

Lembrada por sua voz bastante grave (muitas vezes confundida com uma voz masculina), Tracy trilhou uma carreira de artista atuante socialmente, transformando o preconceito do qual foi vítima em luta por dignidade para os negros, mulheres e homossexuais, assim como por justiça social.  Por muitas vezes denunciou em suas canções a falta de oportunidades e a violência às quais a população mais pobre está sujeita, tendo sido inclusive premiada várias vezes por seu engajamento social e político.

Nesta linda canção, cantada em Wembley, corajosamente acompanhada apenas de um violão, ela canta a esperança de uma revolução vinda do despertar da consciência do povo. Em um mundo tão cheio de contradições, injustiças e esperanças, sempre podemos acreditar que “essa mesa pode virar”...


Para quem está na casa dos 30, Tracy Chapman certamente aparece nas lembranças das baladas românticas, das festinhas e da dança mais aguardada da noite. Pra relembrar:


A luta contra a violência e pela dignidade das mulheres permanece com muita força e urgência. 

Aproveito para divulgar a MARCHA PELA PAZ- Pelo fim da violência contra a mulher, que se realizará amanhã ( 20 de Março), às 14h, na praça do Carmo, em Olinda/PE.
Na pauta, a efetivação da Lei Maria da Penha e do Plano de Políticas para as Mulheres.
















Eu vou!

segunda-feira, 17 de março de 2014

As pontes da cidade


A Recife e seus caminhos inventados, uma homenagem. 



As pontes da cidade

Pontes por onde pessoas atravessam, que atravessam rios.
Pontes que atravessam pessoas.
As pontes da cidade, cortam as gargantas dos caminhos,
Criam novos passos onde apenas existia ar e impossibilidades.

As pontes da cidade apontam para mim
Que pouco ou nada delas pude atravessar
Pontes imóveis que percorrem o coração
Em alta velocidade
Transportam, não, tragam, carregam, cospem
Todos aqueles que ousam sobre elas
Pousar mesmo que por instantes
Sua efemeridade.

As pontes desta cidade,
Não têm ciência dos muros
Ignoram desencontros
Desconhecem a dúvida
E tratam com escárnio esses obstáculos
Que dia após dia colocamos à nossa frente.

Essas pontes dessa cidade
São mais que pontes, mais que pessoas, mais que corações,
Elas são o desejo genuíno de viver e ultrapassar.

(Mirelly Câmara)

terça-feira, 11 de março de 2014

Mainstream: A nova guerra global dos conteúdos


“O termo mainstream inclui tudo que diz respeito a cultura popular, e é disseminado principalmente pelos meios de comunicação em massa. Muitas vezes é também usado como termo pejorativo para algo que "está na moda". O contrário do Mainstream seria chamado de Underground, ou seja, o que não está ao alcance do grande público, sendo restrito a cenas locais ou públicos restritos.

Em busca rápida no Wikipédia vamos encontrar a definição acima para o termo “Mainstream”. Em resumo, é a cultura “de massa”. Trata-se de algo que todos conhecemos, mas de que pouco sabemos, especialmente no que se refere à sua produção.

A utilização da cultura como instrumento de influência política e ideológica é tática largamente utilizada pelas nações imperialistas e essas táticas estão cada vez mais complexas e especializadas. O Estados Unidos são o grande exemplo de utilização deste artifício. Martel em seu livro “Mainstream” apresenta um importante dado: os EUA são responsáveis pela exportação de 50% dos conteúdos consumidos em todo o mundo, em contrapartida, sendo o maior mercado consumidor de cultura, estão apenas no quinto lugar nas importações.
Aplicação do "Hard" e do "Soft"

A cultura é hoje parte integrante da política do “soft power”, o poder das ideias, diferentemente do “hard power” o poder da força, recorrentemente utilizado na história, e ainda hoje, para conquista de territórios. Foi Joe Nye quem cunhou a expressão: “ O Soft Power também é a influência por meio de valores como liberdade, democracia, individualismo, o pluralismo da imprensa, a mobilidade social, a economia de mercado e o modelo de integração das minorias nos Estados Unidos. E é igualmente através das normas jurídicas, do sistema de copyright, das palavras que criamos, das ideias difundidas em todos o mundo que o “power” se torna “soft”*. Nye colaborou também com a definição da nova diplomacia de Obama, através do “smart power”, uma combinação de persuasão e força, de “soft” e “hard”.

Soa como música, mas é apenas mais uma forma de dominação
Não é preciso pesquisar muito para ver em pleno exercício o “Smart Power” de Obama em vários episódios, mais recentemente na Líbia, Venezuela e Ucrânia, e até mesmo no Brasil. A infiltração de grupos responsáveis por “importar” essas ideias, mobilizar forças locais, especialmente jovens, aliada à ações violentas, integram essa estratégia.


Cultura é poder e com a emergência de novos polos econômicos, começam a surgir também novos polos culturais. As mídias locais, dentre elas as do Brasil, começam a figurar nessa nova batalha mundial de conteúdos. Porém o violento monopólio dos meios de comunicação no Brasil, fruto de uma legislação atrasada, é o grande entrave para que comecemos a ter uma produção Nacional que reflita nossa cara, nosso jeito, nossa cultura. Ficamos à mercê da gigante Rede Globo para produzir conteúdos nacionais. Para termos uma ideia, a maior exportação cultural do Brasil é de novelas da Globo. Isso se somando música, literatura, cinema, etc. É necessário, portanto, que a informação e a cultura passem a ser vistas como estratégicas para um projeto de Nação desenvolvida, ou estaremos à mercê dos ditames de outras Nações e dos seus “Softs”, “Hard´s” e “Smart´s”.

*citações na obra de Frédéric Martel