segunda-feira, 26 de maio de 2014

Encontro



Estão à beira da mureta, embaixo as ondas quebram. As pernas dela balançando, na verdade queriam caminhar no ar. Ele apenas observava o mar muito calmo e escuro, iluminado por uma luz de estrela ou de barco. Nenhum dos dois queria sair dali. Haviam se encontrado por acaso, mas era como se tivesse sido ontem.

Parecia que todas as palavras eram ditas no silêncio, ele angustiou-se e entusiasmou-se, com o silêncio e com as palavras.

 - Sexo não é apenas o que fazemos com um outro corpo na cama, o grande sexo é aquele que fazemos com o mundo, com todas as pessoas à nossa volta, com os nossos sonhos individuais e com os sonhos coletivos.

Ela sorriu e já sabia onde essa conversa iria terminar. Mas não tinha certeza.

- Quando transamos com o mundo, lutamos com ele, vencemos e somos vencidos, a explosão de prazer é aquela de lutar pela vida, sem precisar se esconder, ou vender-se, nem barato nem caro.

- Você não era tão ligado nessas conversas transcendentais... sexo com o mundo e etc... (pausa, acendeu um cigarro). Acho que todos nós, algum dia, nos vendemos por alguma coisa que achamos que vale a pena.

 - A transa do corpo satisfaz quando já está satisfeita antes de acontecer. É como a medalha do atleta que enfrentou todos os obstáculos, e venceu. E nenhuma corrida tem graça sem troféu no final...

Ela queria concordar, mas não precisava mais.

- Pois para mim sexo é somente isso: sexo. Corpos, prazer, paixão, vontade. É como comer. É bom, é doce, é físico. O mundo e as outras pessoas não têm nada a ver com isso. Sabe, às vezes acho até que eles atrapalham....


Risos dos dois. O mar fica mais escuro e quase some. Não fosse a lua, alguém poderia cair naquele mar.

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