quarta-feira, 18 de junho de 2014

A Verdadeira Independência




A conquista da Independência do Brasil, que teve como momento ápice o grito às margens do Ipiranga, em 1822, foi fruto de muita engenharia política e bélica. Diferentemente da ideia de que recebemos a independência “de mãos beijadas”, pacificamente, como uma concessão ao então futuro regente de Portugal, Dom Pedro, tratou-se de um riquíssimo momento da nossa história, onde pela primeira vez o povo brasileiro, com toda sua complexidade, diferenças de classes e de interesses, uniu-se em torno da ideia do Brasil como um país independente.

Em sua obra “A Revolução Brasílica”, Fernando Diegues apresenta dados e fatos, em especial acerca da estratégia de guerra para a independência, e mostra que, se não houve uma única grande guerra, os vários conflitos e enfrentamentos que ocorreram de norte a sul concorreram fundamentalmente para o reconhecimento do Brasil como um Estado independente de Portugal.

Em todo esse processo, a figura de José Bonifácio de Andrada se destaca, tanto na condução teórica quanto na execução do projeto independentista. Trazendo ideias avançadas para a época, é considerado o Patrono da Independência. Seus textos, documentos e pronunciamentos revelam que intencionava a conquista da verdadeira independência para o Brasil, e via naquela oportunidade o momento para o surgimento de uma nova Nação.

A verdadeira independência defendida por Bonifácio apenas seria possível com o desvencilhamento da Nação Brasileira das amarras políticas, econômicas e sociais. Para ele, a escravidão impedia o desenvolvimento do Brasil e por isso defendeu a abolição da escravatura, assim como a socialização dos índios e a desconcentração e repartição das terras. As amarras econômicas também deverias ser rompidas, instituindo-se impostos mais pesados aos que exploravam e enriqueciam às custas dos recursos nacionais e beneficiando a produção local e nacional.

A correlação de forças naquele momento não permitiu que fosse realizada a independência em todas as suas dimensões, social, econômica e política. Tratou-se de um importante passo para o reconhecimento do Brasil como Estado politicamente independente, mas uma independência ainda limitada.


Infelizmente até hoje o projeto de Bonifácio não pôde ser efetivado por completo. As amarras econômicas ainda nos prendem a acordos que privilegiam a especulação que nada produz no país. A reforma agrária ainda não foi realizada e a concentração de renda acentua as desigualdades sociais. Em nossa história, houve tentativas de retomar o projeto sonhado por José Bonifácio, como a industrialização do Brasil com Getúlio as reformas de base propostas por Jango. Foram interrompidas pelas mesmas forças que impediram o Andrada. Nos últimos 10 anos, as políticas de distribuição de renda, geração de emprego e investimentos na produção nacional retomam esse projeto. Precisamos continuar rumando para construção de uma Nação Brasileira cada vez mais forte, soberana, desenvolvida econômica e socialmente e influente no cenário internacional.

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