sábado, 14 de junho de 2014

Ressurgimento das Nações





O século XXI tem seu início marcado pelo predomínio de uma Nação com configurações de império.  Os EUA exercem seu poderio bélico , ideológico, cultural e econômico, com auxílio de organismos internacionais e agências de espionagem e de publicidade espalhadas por todo o globo. Embora o atual cenário de crise - que atinge gravemente os centros econômicos do sistema capitalista - não indique a derrocada iminente do império norte-americano, é possível vislumbrar uma reconfiguração da geopolítica, protagonizada pelos BRICS.

A emergência desses novos atores no cenário global é apontada pela mídia monopolizada como a formação de um novo bloco econômico, mas trata-se de algo que vai além de questões econômicas. Os BRICS retomam uma discussão que, para os ideólogos do neoliberalismo, já devia estar morta e enterrada: a existência das Nações, dos Estados Nacionais. A idéia do mundo como uma “aldeia global”, que propagada essencialmente durante a década de 90, tentou secundarizar  o papel dos governos locais perante o mercado global, criando uma ficção de que com o muro de Berlim caíram também as fronteiras dos países e que era chegada a era da governança global. Sem fronteiras e consequentemente sem limites para a circulação do capital.

O surgimento dos BRICS se dá exatamente em torno da retomada do poder político pelas Nações, num momento em que há por parte de alguns países o questionamento da globalização dos mercados, da cultura e da política. As experiências na América do Sul, em especial a Venezuela e o próprio Brasil, apontam para uma atenção maior às necessidades internas dos países, aos anseios do povo e de cada Nação. A emergência dos BRICS não é apenas o surgimento de um bloco econômico, mas de uma nova postura diante da massacrante hegemonia da cultura e da política exercida pela potência americana.

Hoje o desafio principal é retomar o papel das Nações no jogo do poder num mundo globalizado. Reforçar a soberania nacional e o desenvolvimento impulsionado pelo Estado Nacional tem sido o caminho buscado por aqueles que fazem frente ao jogo da especulação que levou o mundo todo a esta que já é considerada a maior e mais grave crise da história do sistema capitalista. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário