terça-feira, 22 de julho de 2014

Adeus ao Mestre Suassuna!




Ariano Vilar Suassuna
1927 - 2014

Muitas homenagens e reverências a este que não pode ser chamado de outra forma que não de Mestre. A humanidade dormirá e amanhecerá menos humana. 



"Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre."


"Quando eu morrer, não soltem meu cavalo nas pedras do meu pasto incendiado: fustiguem-lhe seu dorso alardeado, com a espora de ouro, até matá-lo."


"Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo e o galope do sonho É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver."


"ABERTURA SOB PELE DE OVELHA


Falso Profeta, insone, Extraviado,

vivo, Cego, a sondar o Indecifrável:
e, jaguar da Sibila — inevitável,
meu Sangue traça a rota deste Fado.

Eu, forçado a ascender, eu, Mutilado,

busco a Estrela que chama, inapelável.
E a Pulsação do Ser, Fera indomável,
arde ao sol do meu Pasto — incendiado.

Por sobre a Dor, a Sarça do Espinheiro

que acende o estranho Sol, sangue do Ser,
transforma o sangue em Candelabro e Veiro.

Por isso, não vou nunca envelhecer:

com meu Cantar, supero o Desespero,
sou contra a Morte e nunca hei de morrer."




sexta-feira, 18 de julho de 2014

Mais um adeus em 2014





João Ubaldo Ribeiro
1941 - 2014


" "Amanhã" significa, entre outras coisas, "nunca", "talvez", "vou pensar", "vou desaparecer", "procure outro", "não quero", "no próximo ano", "assim que eu precisar", "um dia destes", "vamos mudar de assunto", etc. e, em casos excepcionalíssimos, "amanhã" mesmo. Qualquer estrangeiro que tenha vivido no Brasil sabe que são necessários vários anos de treinamento para distinguir qual o sentido pretendido pelo interlocutor brasileiro, quando ele responde, com a habitual cordialidade nonchalante, que fará tal ou qual coisa amanhã. O caso dos alemães é, seguramente, o mais grave. Não disponho de estatísticas confiáveis, mas tenho certeza de que nove em cada dez alemães que procuram ajuda médica no Brasil o fazem por causa de "amanhãs" casuais que os levam, no mínimo, a um colapso nervoso, para grande espanto de seus amigos brasileiros - esses alemães são uns loucos, é o que qualquer um dirá. "

(A vida é um eterno Amanhã)


"Se não entendo tudo, devo ficar contente com o que entendo. E entendo que vejo estas árvores e que tenho direito a minha língua e que posso olhar nos olhos dos estranhos e dizer: não me desculpe por não gostar do que você gosta; não me olhe de cima para baixo; não me envergonhe de minha fala; não diga que minha fala é melhor do que a sua; não diga que eu sou bonito, porque sua mulher nunca ia ter casado comigo; não seja bom comigo, não me faça favor; seja homem, filho da puta, e reconheça que não deve comer o que eu não como, em vez de me falar concordâncias e me passar a mão pela cabeça; assim poderei matar você melhor, como você me mata há tantos anos."

(Vila Real)

"Enfim, a presença da Política em nossa existência desafia qualquer tentativa de enumeração. Porque tudo pode - e deve, a depender do caso - ser visto sob um ponto de vista político. É impossível que fujamos da Política. É possível, obviamente, que desliguemos a televisão, se nos aparecer algum político dizendo algo que não estamos interessados em ouvir. Isto, porém, não nos torna "apolíticos", como tanta gente gosta de falar. Torna-nos, sim, indiferentes e, em última análise, ajuda a que o homem que está na televisão consiga o que quer, já que não nos opomos a ele. O problema é que, por ignorância ou apatia, às vezes pensamos que estamos sendo indiferentes, mas, na verdade, estamos fazendo o que nos convém."

(Política - Quem manda, por que manda, como manda,)

terça-feira, 1 de julho de 2014

Ponto de partida

Falar de amor não e fácil, porque parte da experiência pessoal de cada casal, de cada pessoa. É mais difícil porque da mesma forma que não dá pra explicar a um cego a beleza do pôr-do-sol, é impossível explicar o significado de tudo isso a quem nunca amou. Mas hoje eu descobri um tesouro e não poderia guardá-lo só para mim. Preferi compartilhar com vocês.
Este mês de julho completamos um ano e meio de casados. Casamento mesmo, tradicional, na igreja, com padre e aliança. Casamento com uma rotina diferente, mas com suas delícias e problemas, como já imaginávamos que poderia ser.   Pode ser que esse tipo de relação esteja ficando cada vez mais fora de moda, é uma pena, as pessoas não têm mais tempo nem paciência de aprender a lealdade. Sim, porque isso se aprende, não nascemos já sabendo. Ser fiel a um relacionamento não é não ter dúvidas, não é não errar, mas compartilhar dos erros e dúvidas, compreender, pedir perdão e perdoar com o coração, aprendendo juntos como acabar as dúvidas e errar cada vez menos.
Há cerca de sete anos vivemos este relacionamento à “distância”. Esse termo “distância” pode ter dois sentidos. O primeiro é distância física mesmo; eu, um pernambucano lá de Petrolina, morando em São Paulo e ela, uma alagoana arretada de Maceió. Nos beijamos pela primeira vez no alto do pão de açúcar, no Rio de Janeiro. Pronto, aí começa tudo, foi amor ardente, daqueles que a gente sente nas entranhas, que corre na veia.
De lá pra cá já morei em São Paulo, 2500 Km de distância, morei em Porto Alegre, mais 3500 km da danada da distância, até que pra felicidade imensa vim morar bem pertinho dela, no Recife. Só 250 km me distanciava da minha princesa, que sempre esteve em Maceió.
Fomos namorados, noivos e casados à distância, mas finalmente o mês de julho findará com essa etapa, pois minha amada princesa está vindo pra cá, morar de vez e iniciar essa nova fase: juntinhos.
O outro sentido da distancia, não existe no nosso relacionamento. É, não existe, para nós nunca existiu.
Conseguimos passar por todas essas fases de namoro, noivado e o próprio casamento mantendo tuuudo absolutamente aquecido, paixão ardente, amor equilibrado e, em alguns momentos, desequilibrado também. Como isso acontece? O que faz isso permanecer vivo e tão forte? Meu amigo, na verdade, eu não sei explicar, talvez seja o poder da palavra amiga que sempre cultivamos, o carinho, o aconchego, os desejos permanentes e a vontade de amar uma pessoa tão especial.
Nesse tempo descobri que o amor não me torna invencível ou incapaz de magoar minha companheira. O amor me tornou consciente dessa humanidade e disposto a lutar para me tornar um ser humano cada vez melhor. Melhor para aquilo que me faz melhor: minha família. O amor se aprende. Felizmente a vida me deu os melhores professores que poderia ter me dado: minha esposa Mirelly e meu filho João Pedro. Eles me ensinam, com eles estou bem, por eles abro mão das milhões de outras oportunidades e o faço me sentindo tranquilo e feliz. “Se isso não é amor, o que mais pode ser?”
Por muitas vezes, quando me pego pensando nela, percebo que um fator importante que nos faz tão próximos um do outro é o respeito mutuo, a paz nas ações diárias, que faz ficar mais forte o sentimento do dia a dia dentro do meu coração. Já pensei diferente, já vivi diferente. Mudei e sinto que foi para melhor.

Agora, que venha essa nova fase, porque eu quero te agarrar todo dia, princesa! Vou te encher de beijos todas as manhãs e te fazer feliz. Juntos, vamos conquistar o mundo e todos os nossos sonhos!