terça-feira, 22 de julho de 2014

Adeus ao Mestre Suassuna!




Ariano Vilar Suassuna
1927 - 2014

Muitas homenagens e reverências a este que não pode ser chamado de outra forma que não de Mestre. A humanidade dormirá e amanhecerá menos humana. 



"Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre."


"Quando eu morrer, não soltem meu cavalo nas pedras do meu pasto incendiado: fustiguem-lhe seu dorso alardeado, com a espora de ouro, até matá-lo."


"Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo e o galope do sonho É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver."


"ABERTURA SOB PELE DE OVELHA


Falso Profeta, insone, Extraviado,

vivo, Cego, a sondar o Indecifrável:
e, jaguar da Sibila — inevitável,
meu Sangue traça a rota deste Fado.

Eu, forçado a ascender, eu, Mutilado,

busco a Estrela que chama, inapelável.
E a Pulsação do Ser, Fera indomável,
arde ao sol do meu Pasto — incendiado.

Por sobre a Dor, a Sarça do Espinheiro

que acende o estranho Sol, sangue do Ser,
transforma o sangue em Candelabro e Veiro.

Por isso, não vou nunca envelhecer:

com meu Cantar, supero o Desespero,
sou contra a Morte e nunca hei de morrer."




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