domingo, 14 de dezembro de 2014

Ode à mediocridade



DA MEDIOCRIDADE

Nossa alma incapaz e pequenina
Mais complacências que irrisão merece.
Se ninguém é tão bom quanto imagina,
Também não é tão mau como parece.

(Mario Quintana)



Geralmente sou o que podemos chamar de pessoa mediana, normal. Descobri que assim posso me dedicar intensamente ao que acho importante e nem tanto assim ao que é apenas obrigatório. Me contento com isso, e daí? 

Sabe de uma coisa, eu me recuso a ceder um milímetro que seja da minha humanidade em nome de uma invencibilidade que não existe. A todo momento ouvimos : "dê sempre o seu melhor", "esforce-se e será recompensado", "o importante é ser feliz sempre". "Nascemos para ser feliz", esse é um dogma de nossos tempos.

Já tivemos utopias mais justas e dignas do que essa da felicidade plena. Essa de que é preciso sempre funcionar a pleno vapor, ser o melhor da equipe ou ao menos se esforçar para isso, ser o mais feliz ou ao menos estar sempre realizado. Esse ideal moderno não respeita em nada nossa essência humana, imperfeita, incompleta, limitada, necessitada do outro, de ajuda, tantas vezes incapaz.

Não precisamos dar nosso melhor o tempo todo, estarmos sempre certos, cheios de razão. Definitivamente não precisamos seguir sempre os melhores conselhos, não devemos ter medo de errar, de perder tempo com bobagens, de ver a vida passar sem "aproveitar ao máximo". Não temos a obrigação de atingir o topo do sucesso profissional e nem de sermos mães ou pais infalíveis. Não precisamos ser de ferro. O motivo é simplesmente porque, na maioria das vezes NÃO CONSEGUIREMOS. Aceitar nossas limitações é tão mais reconfortante... não para superá-las ou consertá-las, mas simplesmente para conviver com elas em paz. 

Não se trata de comodismo, afinal é muito legítimo a qualquer ser humano buscar evoluir, ofertar oportunidades melhores à sua família e a si próprio. O que tem me incomodado é esse excesso de expectativas e cobranças impostas às pessoas, em especial aos jovens, e que nos priva de compreender nossas escuridões, defeitos, medos, dúvidas. São padrões cruéis: "Você sempre pode fazer melhor, nunca desista, resultados só vêm com muito esforço". Quero não. Já faz um tempo que percebi que meus momentos mais felizes são justamente os que me desobrigo da perfeição e me dou uma folga, me permito fraquejar, aceitar o que sou e apenas curtir o prazer de não ter que conseguir. 

Um brinde à mediocridade!

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