quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Golpe e Manchetes recicladas

Mesmas manchetes, mesmas táticas
Se é possível descrevermos de uma maneira mais simples que está acontecendo hoje no Brasil, podemos dizer que todo esse "turbilhão"  tem duas raízes  principais:
1. Uma crise global que na fase atual atinge as economias emergentes, como Brasil.
2.A aliança entre os interesses imperialistas (que objetivam retomar a influência e controle na América Latina) e setores da oligarquia financeira nacional ligados à direita mais conservadora( ansiosos por retomar o poder perdido em 2002 para outro grupo político). Em suma, disputa pelo poder agravada pela crise internacional.

Não temos hoje no Brasil nada pior do que tínhamos há 15 ou 20 anos. A economia é mais sólida, mercado mais diversificado, a ascensão social ocorrendo como nunca, programas sociais amenizando as desigualdades sociais, educação sendo democratizada, e, por fim, denúncia e combate à corrupção oriunda da relação promíscua que existe entre o Estado e o capital privado.

A "maior crise da história" não passa de um elaborado argumento midiático que nem novo é: também com Getúlio e Jango passamos pela "maior crise da história" e a moralidade foi utilizada como desculpa para golpes ( um tentado e outro consumado). Os grandes desafios que o Brasil enfrenta hoje, da retomada do crescimento e da industrialização, do desenvolvimento, da distribuição de renda, do aperfeiçoamento da democracia e defesa da soberania, se fazem nesse contexto e o caminho para o enfrentamento desses desafios passa pela manutenção do mandato da presidenta Dilma.

Por isso, não compactuo, não me permito usar por grupelhos golpistas, não me omitirei em nenhum momento em denunciar: golpistas não passarão! Nem os lobos e nem o "cordeiros". De boas intenções o inferno está cheio. Se querem melhorar o Brasil, que comecem respeitando a nossa democracia e o voto da maioria que foi às urnas em Outubro!

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Um testamento para 2016 (quem são, Getúlio, os inimigos da Nação?)



“A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a Justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios.
Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobras, mal começa esta a funcionar a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o povo seja independente.”
(Trecho da Carta-testamento de Getúlio Vargas)
Foi no ensino médio que li pela primeira vez a carta-testamento de Getúlio Vargas. Um texto forte de um homem que, ao abdicar da própria vida, realizava o último movimento tático numa guerra em que estava em jogo o nosso direito ao desenvolvimento.

Aquele texto me impressionou e deixou intrigada: quem são esses “inimigos da Nação”? Quem são essas “forças ocultas”? Era difícil compreender como poderia haver alguém que intencionasse entregar nosso país, desfazer-se de nossas riquezas, acabar com nossos direitos. Mas havia. E ainda há.

Temos visto com o PL 4330 o avanço da precarização das relações de trabalho. Direitos trabalhistas são tratados como “encargos” que “encarecem a atividade produtiva”. Empregos mais precários são mais baratos e rendem mais. Mas...para quem? Os que defendem a terceirização são os mesmos que foram contra a CLT de Getúlio. E também exatamente os mesmos que sempre foram, e continuam sendo, contra qualquer iniciativa de distribuição justa das riquezas. Opositores do desenvolvimento, e da independência do Brasil.

Os inimigos enfrentados por Getúlio, e depois por Jango, são os mesmos que enfrentados nos dias de hoje. Há um mercado internacional, ávido por lucro fácil, inconformado por não haver retomado o poder nas eleições de 2014 e que, aliado a uma classe nacional que se beneficia economicamente com a desregulamentação e a especulação, atua fortemente contra os avanços sociais e o projeto de desenvolvimento nacional retomado a partir da eleição de Lula.


A polêmica das terceirizações é mais um capítulo perigoso da batalha atualmente em curso na política nacional. As tais “aves de rapina” não hesitarão em passar por cima da Constituição e zombar da nossa democracia. Assim o fazem bradando pelo impeachment da presidenta e aprovando a institucionalização dos currais eleitorais, o chamado “voto distrital”. O campo nacional, desenvolvimentista e progressista enfrenta uma forte ofensiva dos grandes grupos econômicos, financistas e especuladores internacionais. É preciso aglutinar forças em um amplo campo de resistência, em defesa da democracia, do desenvolvimento e dos interesses do Brasil e do povo brasileiro.

sexta-feira, 20 de março de 2015

O Barco

                                                                                                            Imagem:internet


A gente pode nunca mais saber quem é, depois que entra nesse barco. 
No instante do embarque é tanta desfazença, que só cabe quem tiver vazio ou muito cheio. 
Agente pode, talvez, nunca mais se recuperar desse deslembramento e por isso é que ninguém quer. Mas acontece que todo mundo, um dia, vai.

Dentro dele, não se sabe a hora de nada: o acontecido vai aparecendo, e aí só tem como esperar ou cumpliciar. Não dá nem pra saber se é bom ou ruim, porque só depois que desce é que a gente entende. 

E aí, o barco já virou vento, já virou espuma, já virou mar...

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Tentativa de golpe: o Brasil resiste


Está em curso uma tentativa de intervenção em nosso país, com o objetivo de modificar as posições atualmente adotadas pelo governo brasileiro especialmente quanto ao apoio à formação do bloco do sul e do BRICS e o desenvolvimento da produção energética. 

A tática aplicada, chamada "golpe branco" não é a mesma das duras intervenções militares de décadas anteriores. Consiste em inicialmente desconstruir elementos de identificação do povo como membros de uma Nação, através de mecanismos culturais, o chamado “soft power”. O próximo passo é desestabilizar os líderes, desacreditar governos, insuflar revoltas na população e conta com apoio massivo da mídia para desinformação, semeando principalmente o sentimento de caos. Grupos treinados e infiltrados em várias instâncias de movimentos sociais e institucionais dão assistência, a exemplo dos Black Blocs e similares. Daí, alcançando-se a instabilidade social e política, decorre-se a deposição do governante (algumas vezes se utilizando do Judiciário, outras, o Legislativo, ou, em alguns casos, simplesmente assassinando o governante ou líder) e nomeia-se o interventor, tudo sob o mais cínico argumento de defesa da democracia, ou dos direitos humanos, ou simplesmente da "moralidade". 

Esse tipo de golpe vem sendo aplicado ampla e diariamente. Ele é televisionado, mostrado nos noticiários, aclamado nas redes, mas os bastidores e os verdadeiros interesses nunca são revelados por esses meios. Na América Latina, várias tentativas sem sucesso na Venezuela, uma com sucesso no Paraguai, uma tentativa contra Lula e duas em andamento hoje: na Argentina e no Brasil. Ucrânia, Líbia, receberam o golpe, Irã e China são alvos constantes. Recentemente Julian Assange denunciou a existência desse método de intervenção e alertou a América Latina de que somos um alvo. Aliás, essa operação não é secreta, as teses do novo tipo de golpe são bem explicadas até por membros do governo americano, ex agentes da CIA, e mesmo em discursos e textos dos formuladores das teses, que podem ser acessados pela internet. Não há segredo porque as populações alvo desse tipo de golpe geralmente já foram preparadas para recebe-lo como uma "benfeitoria" a seu país e não desconfiam de que são a bola da vez. 

Os objetivos dessas intervenções geralmente são: a ocupação de território estratégico, apropriação de riquezas naturais (principalmente energéticas), derrubada de governos que oponham resistência política ou ideológica ou "atrapalhem" o andamento dos dois primeiros objetivos. O Brasil se encaixa especialmente nos dois últimos, pois, além das enormes reservas petrolíferas e aquíferas, ocupa hoje posição de destaque junto aos BRICS (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sula, que está criando um banco próprio, com moeda própria, desbancando o dólar em suas operações internas) e articula a união dos países do sul em fóruns e blocos econômicos e políticos, principalmente protegendo o mercado interno e incentivando o desenvolvimento regional. 

O centro da máquina de fabricar golpes está na conexão Londres-Washington e eles contam com apoio massivo das redes de televisão e rádio a seus serviços, que são as maiores e mais influente mundo. No Brasil, apenas algumas poucas e pequenas redes independentes não estão subordinadas à estrutura midiática anglo-americana. Em discurso recente, papa Francisco denunciou manipulação e desinformação da população pela mídia, que é um dos principais instrumentos desse tipo de golpe.

Não devemos permitir que intervenham em nosso país de nenhuma maneira, pois os exemplos mostram que nos países onde o golpe foi perpetrado, nada de bom foi alcançado, nenhum dos objetivos "prometidos". Esses objetivos escusos estão maquiados em forma de "combate à corrupção", mesmo argumento utilizado em vários países golpeados, porém não há intenção nenhuma de enfrentar o problema da corrupção. O que devemos fazer então? Como sempre, o caminho mais fácil e mais curto, cheio de promessas é o mais atrativo, mas temos que percorrer o caminho mais longo: aprovar leis, fiscalizar como cidadãos, inserir-nos na vida política do país e acabar com a ideia de que a cidadania serve apenas para eleger um mandatário e aguardar sua benevolência. Existem vários instrumentos de participação popular das decisões, formas de o povo se organizar para implantar políticas em seus bairros, cidades, estados e no país. Sim, este é o caminho mais longo, trabalhoso, mas é o único possível para o verdadeiro amadurecimento da nossa democracia. Clamar por um interventor é iludir-se de que virá um salvador da pátria resolver em um estalar de dedos um problema tão complexo, enraizado nas próprias instituições democráticas. NÃO NOS PERMITAMOS SERVIR COMO INOCENTES ÚTEIS PARA UMA INTERVENÇÃO EM NOSSO PAÍS. Vamos refletir e pesquisar sobre estes fatos.









domingo, 8 de fevereiro de 2015

Mais energia para o Brasil



Parque de energia eólica: setor cresce rápido, mas ainda é insuficiente

Alguém disse que a culpa do aumento da gasolina é minha, por ter votado na Dilma. Pois eu poderia dizer que ainda bem que elegemos Dilma, pois senão o aumento seria ainda maior. Poderia, mas com esses argumentos simplistas, de "luta de torcidas", acabamos perdendo oportunidade de debater o problema com a seriedade que ele merece. Assim, prefiro dizer que não votei na Dilma apenas para aumentar ou diminuir a gasolina. Eu votei e elegi um projeto para enfrentar, dentre outros, o desafio da produção energética no Brasil(incluo aí os combustíveis).

Neste ponto, a mídia anda fazendo uma apresentação irresponsável do problema, colocando como se o aumento dos preços fosse questão de vontade da presidenta, e que ocorreu para cobrir o "rombo" na Petrobrás.  Não podemos permitir que toda a investigação desses escândalos de corrupção tenha o efeito contrário do desejado: varrer os corruptos da Petrobrás deve servir para fortelecê-la, não para desmoralizar e destruir a nossa estatal. Assim, é importante termos a noção de que o preço do combustível não aumentou "por causa da Petrobrás", mas sim apesar de todos os esforços feitos para segurar os preços, tendo chegado a estatal a comprar o combustível por um preço mais alto do que o de venda para o mercado interno, tudo para evitar que os preços subissem. A mídia esquece que há poucas semanas estava ela mesma defenestrando o governo por segurar os preços da gasolina, alegando que não é papel do Estado intervir em questões econômicas e que o mercado é quem deve livremente definir os valores praticados (e graças a essa "lei de mercado" os donos dos postos agora aumentaram os preços em valores acima do reajuste). Da mesma forma, não fazem circular a notícia que a Petrobrás vem batendo anualmente recordes em produção e arrecadação e que a queda ou aumento do valor de ações não define por si só o declínio ou expansão de uma empresa, mas reflete movimentações e arrumações do mercado. Um exemplo são as empresas de Eike batista que, dias antes de quebrar, contavam com cotações altíssimas na bolsa.

Há dez anos retomamos um importante projeto, que é base para o nosso desenvolvimento: a produção energética. Vivemos uma década de estagnação nesse setor, mas a partir de Lula foi conferida uma nova (mas ainda insuficiente) política energética para o país. A Petrobrás expandiu as pesquisas e a produção (daí a descoberta do Pré-sal), tivemos investimentos em novas matrizes energéticas. Hoje o Brasil é um dos que mais investe em energia eólica e fechou um grande acordo com a China para pesquisa e produção de energia solar. O que precisamos agora é aprofundar essa estruturação, avançar com a construção de hidrelétricas, que produz energia limpa, vencer o que desejam a privatização da Petrobrás, retomar a produção de energia nuclear, enfim, defender nossa autonomia para produção da nossa própria energia. São esses alguns dos desafios e acredito que a presidenta Dilma quem tem compromisso com esses objetivos. A indicação do ex-presidente do Banco do Brasil sinaliza nesse sentido: a Petrobrás não se curvará aos interesses predatórios do mercado e precisa permanecer servindo de esteio para o projeto nacional de desenvolvimento.

É por isso que lutamos!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

As botas viajantes de Eleanor Antin

Em leitura do Livro “Imagens Cintilantes” (Camille Paglia), deparei-me com essas intrigantes imagens:












Essas botas viajaram por 51 fotografias, da Califórnia a Nova York. São 50 pares de botas de borracha, retratadas pela artista Eleanor Antin e enviadas para personalidades em várias partes do mundo. O conjunto de imagens forma uma só obra, denominada “100 botas”, atualmente em exposição MoMA, San Francisco.

O que me encantou nas imagens foi a capacidade de evocar sentimentos paradoxais: seres inanimados que emanam sentimentos humanos, as botas caminham sempre em conjunto uma jornada que por vezes parece solitária. As protagonistas caminham impassíveis à paisagem, da mesma forma que dela fazem parte. São engajadas e alheias à realidade. Iradas, apressadas, contemplativas, elas trilham caminhos inóspitos e paisagens urbanas. Algumas vezes parecem cantar, outras, apenas seguem, superando obstáculos que surgem no caminho.

Ao fim da série, é possível até sentir um certo afeto pelas “amigas viajantes”. As fotografias parecem dar vida às botas, ou o contrário. Só a arte é capaz disso. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Tinha um castelo no meio do caminho: viagem ao Castelo Armorial do Reino Encantado






Em nossas andanças pela rota do sertão Pernambucano, adentramos no município de São José do Belmonte. Familiarizados à paisagem sertaneja, fomos surpreendidos com a aparição de um imenso castelo à margem da estrada, acima os dizeres: “Castelo Encantado”.

Que linda e grata surpresa! O castelo em estilo medieval possui em suas colunas e janelas reprodução de figuras folclóricas que lembram as xilogravuras dos cordéis. Animais alados, anjos, criaturas fantásticas, reis, e por um momento fomos teletransportados para um cenário imaginário de lendas e mitos de antigamente. Paramos, brincamos, nos encantamos. Infelizmente estava fechado e não pudemos vislumbrar o que havia por dentro, sendo que o mistério daquela intrigante construção não podia ficar sem solução: vamos ao google!

O Castelo Armorial do Reino Encantado é o único castelo armorial do mundo, e fica próximo à Pedra do Reino, local que foi palco do famoso romance de Ariano Suassuna (Romance d’ A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-volta) que virou série de televisão. O castelo é um monumento ao Movimento Armorial, criado em 1970 sob a liderança de Suassuna.

O lugar é repleto de reproduções coloridas de obras dos xilogravuristas e cordelistas J. Borges, Paulo Borges e J. Miguel, dos iluminogravuristas Deborah Brennanad e Zélia Suassuna e do escritor Ariano Suassuna. São mais de 60 obras, dentre pinturas, esculturas, bonecos, mapas, instrumentos musicais e objetos que retratam o cotidiano e o imaginário da cultura popular sertaneja. Ao que parece, será destinado à visitação pública e amostras culturais.

E esse foi o primeiro ponto de parada em nossa viagem de férias. O Castelo Encantado é uma verdadeira obra de arte, que pega de surpresa e encanta os viajantes desavisados e homenageia lindamente a fantástica cultura popular nordestina. Adorei!






segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Ganhei na mega sena acumulada



Hoje é um daqueles dias que a gente carrega pra vida toda, que a gente recorda e acumula; e recordações são muitas, de amor e de prazer, de saudade e de carinho, de desejos e de realizações. De acúmulo, são DOIS mais muitos, hoje é o aniversário de dois anos de meu casamento com Mirelly, minha princesa, minha cama de pétalas, minha fortaleza.

Nesses dois anos vivemos de tudo e com muita intensidade, como é de ser na minha vida. Foram coisas boas, maravilhosas, saborosas e outras confusas e problemáticas também. Porque "pra conservar o amor, há que se inventar uma forma inédita de amar..."

No dia do nosso casamento, meu amigo Lucivaldo nos disse que pra viver um grande amor é preciso ter "muuuuuita paciência", e isso é o que Mirelly tem como nunca imaginei que alguém tivesse, dum jeitinho que dobra o cabra e bota sempre no seu aconchego pra amar e querer ainda mais bem.

Hoje eu tenho trilho, tenho linha e tenho órbita pra viver esse grande amor.

12.01.2015



Aconteceu



A Guerra começou. Onde está a guerra?




Tá rebocado meu compadre
Como os donos do mundo piraram
Eles já são carrascos e vítimas
Do próprio mecanismo que criaram
(As Aventuras de Raul Seixas Na Cidade de Thor)

As décadas anteriores foram marcadas pelo discurso do "multiculturalismo", da "aldeia global". Muitos alardearam o fim das fronteiras nacionais e o início de um grande e único mercado global, cujo ápice foi a criação da União Européia. Hoje, com a crise global se agudizando, o discurso da "tolerância" desmorona e em seu lugar retornam a xenofobia, o protecionismo e o fascismo. 

Tal como em 11 de Setembro, o ataque à revista francesa, um ato de terrorismo covarde e condenável, é o pretexto aguardado para o endurecimento das relações com os povos árabes. A marcha em defesa da "liberdade de expressão", cujos alguns participantes são diretamente responsáveis por genocídios de populações inteiras, além de censura e manipulação da mídia em seus próprios países, traz velada a mensagem de que duros tempos estão por vir.

O "perigo vermelho", que antes justificava as intervenções e guerras imperialistas, agora é chamado de "guerra ao terror". Os inimigos mudam de nome, mas os interesses permanecem os mesmos: busca por lucros e hegemonia cultural, proteção do mercado interno e domínio de territórios estratégicos.

O perigo é que, com o agravamento da crise, a sanha dos mercados leve o mundo à beira de uma nova grande guerra, em proporções globais.

Fiquemos com as reflexões de Camus, num prelúdio à Segunda Guerra Mundial:

“A guerra começou. Onde está a guerra? Fora das notícias em que se deve acreditar e dos anúncios que se dever ler, onde encontrar os sinais do absurdo evento? Ela não está nesse céu azul sobre o mar azul, nesses cantos estridentes de cigarras, nos ciprestes das colinas. Não é esse recente aumento de luz nas ruas de Argel. Queremos acreditar nela. Procuramos seu rosto e ela nos recusa. Somente o mundo é rei e seus rostos magníficos. Ter vivido o ódio dessa besta, tê-la diante de si e não saber reconhecê-la. Tão poucas coisas mudaram. Mais tarde, sem dúvida, surgirão a lama, o sangue, a imensa repugnância. Mas por hoje provamos que o início das guerras é parecido com os princípios da paz: o mundo e o coração os ignoram.”

Albert Camus
Setembro de 1939