segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Tentativa de golpe: o Brasil resiste


Está em curso uma tentativa de intervenção em nosso país, com o objetivo de modificar as posições atualmente adotadas pelo governo brasileiro especialmente quanto ao apoio à formação do bloco do sul e do BRICS e o desenvolvimento da produção energética. 

A tática aplicada, chamada "golpe branco" não é a mesma das duras intervenções militares de décadas anteriores. Consiste em inicialmente desconstruir elementos de identificação do povo como membros de uma Nação, através de mecanismos culturais, o chamado “soft power”. O próximo passo é desestabilizar os líderes, desacreditar governos, insuflar revoltas na população e conta com apoio massivo da mídia para desinformação, semeando principalmente o sentimento de caos. Grupos treinados e infiltrados em várias instâncias de movimentos sociais e institucionais dão assistência, a exemplo dos Black Blocs e similares. Daí, alcançando-se a instabilidade social e política, decorre-se a deposição do governante (algumas vezes se utilizando do Judiciário, outras, o Legislativo, ou, em alguns casos, simplesmente assassinando o governante ou líder) e nomeia-se o interventor, tudo sob o mais cínico argumento de defesa da democracia, ou dos direitos humanos, ou simplesmente da "moralidade". 

Esse tipo de golpe vem sendo aplicado ampla e diariamente. Ele é televisionado, mostrado nos noticiários, aclamado nas redes, mas os bastidores e os verdadeiros interesses nunca são revelados por esses meios. Na América Latina, várias tentativas sem sucesso na Venezuela, uma com sucesso no Paraguai, uma tentativa contra Lula e duas em andamento hoje: na Argentina e no Brasil. Ucrânia, Líbia, receberam o golpe, Irã e China são alvos constantes. Recentemente Julian Assange denunciou a existência desse método de intervenção e alertou a América Latina de que somos um alvo. Aliás, essa operação não é secreta, as teses do novo tipo de golpe são bem explicadas até por membros do governo americano, ex agentes da CIA, e mesmo em discursos e textos dos formuladores das teses, que podem ser acessados pela internet. Não há segredo porque as populações alvo desse tipo de golpe geralmente já foram preparadas para recebe-lo como uma "benfeitoria" a seu país e não desconfiam de que são a bola da vez. 

Os objetivos dessas intervenções geralmente são: a ocupação de território estratégico, apropriação de riquezas naturais (principalmente energéticas), derrubada de governos que oponham resistência política ou ideológica ou "atrapalhem" o andamento dos dois primeiros objetivos. O Brasil se encaixa especialmente nos dois últimos, pois, além das enormes reservas petrolíferas e aquíferas, ocupa hoje posição de destaque junto aos BRICS (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sula, que está criando um banco próprio, com moeda própria, desbancando o dólar em suas operações internas) e articula a união dos países do sul em fóruns e blocos econômicos e políticos, principalmente protegendo o mercado interno e incentivando o desenvolvimento regional. 

O centro da máquina de fabricar golpes está na conexão Londres-Washington e eles contam com apoio massivo das redes de televisão e rádio a seus serviços, que são as maiores e mais influente mundo. No Brasil, apenas algumas poucas e pequenas redes independentes não estão subordinadas à estrutura midiática anglo-americana. Em discurso recente, papa Francisco denunciou manipulação e desinformação da população pela mídia, que é um dos principais instrumentos desse tipo de golpe.

Não devemos permitir que intervenham em nosso país de nenhuma maneira, pois os exemplos mostram que nos países onde o golpe foi perpetrado, nada de bom foi alcançado, nenhum dos objetivos "prometidos". Esses objetivos escusos estão maquiados em forma de "combate à corrupção", mesmo argumento utilizado em vários países golpeados, porém não há intenção nenhuma de enfrentar o problema da corrupção. O que devemos fazer então? Como sempre, o caminho mais fácil e mais curto, cheio de promessas é o mais atrativo, mas temos que percorrer o caminho mais longo: aprovar leis, fiscalizar como cidadãos, inserir-nos na vida política do país e acabar com a ideia de que a cidadania serve apenas para eleger um mandatário e aguardar sua benevolência. Existem vários instrumentos de participação popular das decisões, formas de o povo se organizar para implantar políticas em seus bairros, cidades, estados e no país. Sim, este é o caminho mais longo, trabalhoso, mas é o único possível para o verdadeiro amadurecimento da nossa democracia. Clamar por um interventor é iludir-se de que virá um salvador da pátria resolver em um estalar de dedos um problema tão complexo, enraizado nas próprias instituições democráticas. NÃO NOS PERMITAMOS SERVIR COMO INOCENTES ÚTEIS PARA UMA INTERVENÇÃO EM NOSSO PAÍS. Vamos refletir e pesquisar sobre estes fatos.









domingo, 8 de fevereiro de 2015

Mais energia para o Brasil



Parque de energia eólica: setor cresce rápido, mas ainda é insuficiente

Alguém disse que a culpa do aumento da gasolina é minha, por ter votado na Dilma. Pois eu poderia dizer que ainda bem que elegemos Dilma, pois senão o aumento seria ainda maior. Poderia, mas com esses argumentos simplistas, de "luta de torcidas", acabamos perdendo oportunidade de debater o problema com a seriedade que ele merece. Assim, prefiro dizer que não votei na Dilma apenas para aumentar ou diminuir a gasolina. Eu votei e elegi um projeto para enfrentar, dentre outros, o desafio da produção energética no Brasil(incluo aí os combustíveis).

Neste ponto, a mídia anda fazendo uma apresentação irresponsável do problema, colocando como se o aumento dos preços fosse questão de vontade da presidenta, e que ocorreu para cobrir o "rombo" na Petrobrás.  Não podemos permitir que toda a investigação desses escândalos de corrupção tenha o efeito contrário do desejado: varrer os corruptos da Petrobrás deve servir para fortelecê-la, não para desmoralizar e destruir a nossa estatal. Assim, é importante termos a noção de que o preço do combustível não aumentou "por causa da Petrobrás", mas sim apesar de todos os esforços feitos para segurar os preços, tendo chegado a estatal a comprar o combustível por um preço mais alto do que o de venda para o mercado interno, tudo para evitar que os preços subissem. A mídia esquece que há poucas semanas estava ela mesma defenestrando o governo por segurar os preços da gasolina, alegando que não é papel do Estado intervir em questões econômicas e que o mercado é quem deve livremente definir os valores praticados (e graças a essa "lei de mercado" os donos dos postos agora aumentaram os preços em valores acima do reajuste). Da mesma forma, não fazem circular a notícia que a Petrobrás vem batendo anualmente recordes em produção e arrecadação e que a queda ou aumento do valor de ações não define por si só o declínio ou expansão de uma empresa, mas reflete movimentações e arrumações do mercado. Um exemplo são as empresas de Eike batista que, dias antes de quebrar, contavam com cotações altíssimas na bolsa.

Há dez anos retomamos um importante projeto, que é base para o nosso desenvolvimento: a produção energética. Vivemos uma década de estagnação nesse setor, mas a partir de Lula foi conferida uma nova (mas ainda insuficiente) política energética para o país. A Petrobrás expandiu as pesquisas e a produção (daí a descoberta do Pré-sal), tivemos investimentos em novas matrizes energéticas. Hoje o Brasil é um dos que mais investe em energia eólica e fechou um grande acordo com a China para pesquisa e produção de energia solar. O que precisamos agora é aprofundar essa estruturação, avançar com a construção de hidrelétricas, que produz energia limpa, vencer o que desejam a privatização da Petrobrás, retomar a produção de energia nuclear, enfim, defender nossa autonomia para produção da nossa própria energia. São esses alguns dos desafios e acredito que a presidenta Dilma quem tem compromisso com esses objetivos. A indicação do ex-presidente do Banco do Brasil sinaliza nesse sentido: a Petrobrás não se curvará aos interesses predatórios do mercado e precisa permanecer servindo de esteio para o projeto nacional de desenvolvimento.

É por isso que lutamos!