quinta-feira, 23 de abril de 2015

Um testamento para 2016 (quem são, Getúlio, os inimigos da Nação?)



“A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a Justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios.
Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobras, mal começa esta a funcionar a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o povo seja independente.”
(Trecho da Carta-testamento de Getúlio Vargas)
Foi no ensino médio que li pela primeira vez a carta-testamento de Getúlio Vargas. Um texto forte de um homem que, ao abdicar da própria vida, realizava o último movimento tático numa guerra em que estava em jogo o nosso direito ao desenvolvimento.

Aquele texto me impressionou e deixou intrigada: quem são esses “inimigos da Nação”? Quem são essas “forças ocultas”? Era difícil compreender como poderia haver alguém que intencionasse entregar nosso país, desfazer-se de nossas riquezas, acabar com nossos direitos. Mas havia. E ainda há.

Temos visto com o PL 4330 o avanço da precarização das relações de trabalho. Direitos trabalhistas são tratados como “encargos” que “encarecem a atividade produtiva”. Empregos mais precários são mais baratos e rendem mais. Mas...para quem? Os que defendem a terceirização são os mesmos que foram contra a CLT de Getúlio. E também exatamente os mesmos que sempre foram, e continuam sendo, contra qualquer iniciativa de distribuição justa das riquezas. Opositores do desenvolvimento, e da independência do Brasil.

Os inimigos enfrentados por Getúlio, e depois por Jango, são os mesmos que enfrentados nos dias de hoje. Há um mercado internacional, ávido por lucro fácil, inconformado por não haver retomado o poder nas eleições de 2014 e que, aliado a uma classe nacional que se beneficia economicamente com a desregulamentação e a especulação, atua fortemente contra os avanços sociais e o projeto de desenvolvimento nacional retomado a partir da eleição de Lula.


A polêmica das terceirizações é mais um capítulo perigoso da batalha atualmente em curso na política nacional. As tais “aves de rapina” não hesitarão em passar por cima da Constituição e zombar da nossa democracia. Assim o fazem bradando pelo impeachment da presidenta e aprovando a institucionalização dos currais eleitorais, o chamado “voto distrital”. O campo nacional, desenvolvimentista e progressista enfrenta uma forte ofensiva dos grandes grupos econômicos, financistas e especuladores internacionais. É preciso aglutinar forças em um amplo campo de resistência, em defesa da democracia, do desenvolvimento e dos interesses do Brasil e do povo brasileiro.